Mapa literário de Lisboa: um novo olhar sobre a capital

Escapada

Aqui vai poder encontrar todas as dicas que necessita para descobrir, ao volante do seu Ford, a Lisboa mais literária. Uma escapadela diferente e fascinante numa das capitais europeias que está mais na moda – e ainda mais, a nossa – onde abundam os prazeres da boa mesa… E um bom fado.

Descobrir Lisboa – cidade que o prémio Nobel de Literatura português José Saramago definiu como “o lugar onde acaba o mar e a terra começa” – é descobrir uma cidade que revela o escritor que qualquer um de nós leva dentro. O chiar das ruas com o passar do elétrico, as roupas multicores estendidas ao sol do atlântico sobre fachadas de azulejos, uma paisagem urbana vital onde cabe o orgulho das colónias perdidas e, em qualquer canto, um prédio belíssimo e abandonado que faz lembrar o tempo em que o sol também nunca se punha em Portugal. Tudo isto  inspira a vocação criativa e literária de qualquer um, e ainda mais dos maiores escritores que se apaixonaram pela cidade.

Uma Lisboa de azares, onde a glória de ser capital imperial ou cenário de catástrofes naturais de pesadelo são só alguns das jazidas lisboetas de histórias e conceitos em que se inspiram inúmeros autores, tanto nacionais – como Pessoa, Saramago, Eça de Queiroz ou Lobo Antunes entre os mais conhecidos – como estrangeiros – como os mais próximos espanhóis – Cervantes, Muñoz Molina – passando por Voltaire, Tabucchi, Greene ou Bowles.

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São várias as ruas e vielas de Lisboa que são percorridas pelos elétricos.

A Lisboa de Fernando Pessoa

De todos os escritores inseridos no ADN de Lisboa, há um que se destaca: Fernando Pessoa. Ninguém como ele – e os seus heterónimos – conseguiu fundir-se com esta cidade, a dama de Portugal, aberta ao mar, berço de marinheiros, alimentada por muitos lisboetas nascidos fora da cidade. Em 2015, quando se cumprem oitenta anos da morte de Pessoa, o seu espírito ainda está muito presente em Lisboa, agraciando as mesas dos cafés que frequentava, os muros das casas que habitou. Na porta de entrada da Casa Fernando Pessoa (Rua Coelho da Rocha, 16. Tel. +351 21 391 3270. casafernandopessoa.cm-lisboa.pt. Horários: Aberta de segunda-feira a sábado, das 10h às 18h. bilhetes: 3€), somos recebidos, logo na montra, por uma carta astral do grande escritor talhada em pedra. A casa foi criada pela Câmara Municipal de Lisboa em homenagem a Fernando Pessoa e a sua memória, na cidade onde morava e na zona na qual passou os últimos quinze anos da sua vida, o bairro de Campo de Ourique. Conta com auditórios, jardim, salas de exposições, obras de arte, uma biblioteca dedicada exclusivamente à poesia, além de parte da herança do poeta, funcionando como arma com a qual se guarda a memória do genial poeta.

Entre as históricas arcadas que rodeiam a Praça do Comércio está escondido um dos cafés com mais personalidade da cidade, o Martinho da Arcada (Praça do Comércio, 3. Tel. +351 21 887 9259. www.martinhodaarcada.pt), aberto desde 1782 e onde também permanece o espírito do autor.

As paredes estão adornadas com fotos de Pessoa, para quem este café foi uma segunda casa. No Martinho da Arcada podemos também degustar os pratos mais tradicionais da cidade, como o arroz de pato ou cogumelos com natas.

E não se pode deixar de cumprir com a tradição por excelência de toda viagem literária a Lisboa: tirar uma fotografia com a estátua em bronze de Pessoa que cumprimenta os visitantes e clientes de um dos melhores cafés da cidade, o café A Brasileira (Rua Almeida Garrett, 120). Talvez seja algo turístico, mas é quase impossível resistir-lhe.

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A estátua de Fernando Pessoa junto ao Café A Brasileira.

Seguindo com prazeres literários, sentir como o cheiro dos livros velhos vai desaparecendo com o passar do tempo na parte alta da Rua do Alecrim, onde se encontram várias livrarias especializadas em livros usados e gravados. As mais conhecidas são a de João Trindade (Rua do Alecrim, 32) e Campos Trindade (Rua do Alecrim, 44). A obra do poeta João de Deus não é tão conhecida como a de Pessoa, mas não é por isso que não é recordado com um dos melhores e mais sensíveis autores portugueses. Para que o seu legado esteja devidamente salvaguardado na memória dos seus leitores, foi criado o Museu João de Deus (Avenida Álvares Cabral, 69. Tel. +351 21 386 2211), no bairro de São José.

Os becos mais literários de Lisboa

Não podemos ir a Lisboa e não caminhar pelo bairro do Chiado, já quase totalmente recuperado do incêndio infernal que quase o destruir há mais de 20 anos. Hoje, as suas ruas rejuvenescidas contam com a passagem diária de milhares de turistas fascinados por um dos bairros mais belos de toda a Europa. Mas os locais com importante carga literária estão repartidos por toda a cidade. Juntamente com o vizinho Bairro Alto, conta com uma das rotas mais saborosas e pitorescas, imprescindíveis para entender a alma lisboeta e a inspiração que encheu as páginas das melhores obras literárias sobre a cidade.

A igreja de São Roque (Largo Trindade Coelho), o legendário Teatro de São Carlos (Largo de São Carlos) ou o Museu Nacional da Arte Contemporânea do Chiado (Rua Serpa Pinto, 4. Tel. +351 21 343 2148. www.museuartecontemporanea.pt) são apenas alguns dos locais mais interessantes. Junto a uma das principais praças de Lisboa, a Praça do Comércio, à direita, e atrás da magnífica estação ferroviária de Santa Apolónia, surge um dos conjuntos arquitetónicos mais belos de Lisboa, o tradicional bairro de Alfama, que tem a sua origem na época do domínio árabe, e que já desde então é ponto tradicional de concentração de artesãos e pescadores.

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Lisboa vista do Castelo de São Jorge.

As vielas, que se espalham pelo sopé da colina do Castelo de São Jorge até o rio Tejo, são das mais características da cidade. É neste bairro que se situa a Sé catedral (no Largo da Sé), uma das mais belas igrejas de Portugal.

Outro bairro imperdível é o Cais do Sodré, que nas suas origens (após o terramoto de 1755) se converteu num dos mais concorridos da cidade, e que não tardaria muito em ser ponto de encontro dos marinheiros que desembarcavam no Porto de Lisboa, oriundos dos quatro cantos do mundo. Vale a pena passear pelas suas ruas mesmo que seja apenas para beber um café no British Bar (Rua Bernardino da Costa) e observar o movimento do recém-revitalizado Mercado da Ribeira (Avenida 24 de Julho 50).

Guia prático: Comer e dormir em Lisboa; e para rematar, um fado

Não é segredo para ninguém que em Lisboa se come muito bem, sem ter que sacrificar em demasia o seu orçamento.

Da imensa oferta gastronómica da cidade, destacamos alguns clássicos que são uma aposta segura. Situado no Castelo de São Jorge, na Casa do Leão (Tel. +351 21 887 5962. http://www.pousadas.pt/historic-hotels-portugal/pt/restaurants/pages/casa-do-leao.aspx) pode contemplar-se uma esplêndida vista de Lisboa e do Tejo, enquanto se degustam pratos típicos portugueses. É o local ideal para se afastar do barulho da cidade, para um irrepreensível almoço de negócios ou um jantar à luz das velas. No caso do Restaurante Eleven (Rua Marquês de Fronteira. Tel. +351 21 386 2211. www.restauranteleven.com), a primeira coisa a destacar é o seu espetacular edifício de linhas modernas e simples, construído num dos pontos mais altos da cidade, que oferece magníficas vistas sobre o Parque Eduardo VII. Na cozinha, o chef Joachim Koerper trabalha com ingredientes locais com todo o carinho e originalidade que estes merecem, desenvolvendo as excelentes criações que o levaram a conquistar a sua primeira estrela Michelin.

Mais descontraído e inovador, é uma das últimas sensações gastronómicas da cidade: o Restaurante Bica do Sapato (Avenida Infante Dom Henrique Armazém B, Cais da Pedra, Santa Apolónia. Tel. +351 21 881 0320. www.bicadosapato.com), construído num cais recuperado à beira do rio, em frente à Estação de Santa Apolónia, conta com uma sala de jantar de tetos altos e grandes janelas com vista para o Tejo. As suas grandes criações casam a tradição portuguesa com o toque mediterrâneo: vieiras frescas na grelha com salada de rúcula e parmesão, ou bacalhau assado com broa de milho, até ao carpaccio de pato com chalotas e cebolinha.

Para descansar, escolhemos dois dos melhores hotéis não só de Lisboa, mas de Portugal: o Pestana Palace Hotel e o Palácio de Belmonte. O Pestana Palace Hotel (Rua Jau 54. Tel. +351 21 361 5600. www.pestana.com/es/pestana-palace-lisboa), está muito próximo de pontos de interesse como o Mosteiro dos Jerónimos ou a Torre de Belém, e pertencente à rede “The Leading Hotels of the World”, ocupando um palácio do século XIX numa zona residencial da cidade de Lisboa, cujos jardins e o edifício estão classificados como “Monumento Nacional” e onde as estâncias privadas dos marqueses foram convertidas em formosas e amplas suítes. As suas paredes estão soberbamente adornadas com obras de arte, complementadas por elegantes peças de mobiliário antigo e sofás luxuosos: as quatro suítes reais, de onde se contemplam magníficas vistas sobre rio Tejo ou sobre os jardins do palácio são um autêntico capricho de reis.

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Fachada do Hotel Pestana Palace, Lisboa.

Por outro lado, o Palácio Belmonte (Pátio Dom Fradique 14. Tel. +351 21 881 6600. www.palaciobelmonte.com), erguido na colina do bairro de Alfama e cujas paredes se apoiam nos muros do Castelo de São Jorge, combina a restauração tradicional com a inovação arquitetónica. O hotel dispõe de 11 suítes, todas diferentes, nas quais se alojaram condes e barões. Conta ainda com uma biblioteca que alberga mais de 4.000 livros, uma ampla esplanada com vistas sobre o Tejo, um moderno bar que se espalha até o pátio interior e um exuberante jardim que rodeia a piscina de mármore negro.

Em Lisboa, continua a ser inevitável deixar-se comover com o fado, género musical autóctone que deu a volta ao mundo e que está atualmente numa idade de ouro, como testemunham as dúzias de locais consagrados ao fado que há na cidade. No Bairro Alto encontram-se numerosas casas de fado: recomendamos a Fado Nó Nó (Rua do Norte, 47-49), o Café Luso (Travessa da Queimada, 10) e o Arcadas do Faia (Rua da Barroca, 54-56). Aproveite a melhor literatura e os melhores estímulos sensoriais para se deliciar com uma escapada lisboeta simplesmente inesquecível.

 

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