Portugal e prémios Pritzker: as obras de Siza e Souto de Moura

Rotas temáticas

Apreciar a nossa riquíssima arquitetura é sempre um prazer. Obras honestas, harmoniosas, bem integradas, que têm em Álvaro Siza Vieira um mestre da luz e da ordem no caos, e em Eduardo Souto de Moura o seu aluno mais brilhante.

São ambos homens do norte. Siza nasceu em 1933 em Matosinhos, cidade pesqueira do distrito do Porto. Souto de Moura nasceu no Porto em 1952. Ambos foram distinguidos com prémios Pritzker, os famosos Nobel da arquitetura. O primeiro foi galardoado em 1992 “porque a sua arquitetura é uma alegria para os sentidos e alimenta o espírito. Cada linha e cada curva demonstram a sua sabedoria e certeza”. O segundo recebeu-o em 2011 “porque as suas obras pertencem ao nosso tempo mas também têm forte ligação com a tradição. Os seus edifícios têm a capacidade única de combinar características aparentemente contraditórias com o poder e a modéstia, o atrevimento e a subliminalidade, o peso da autoridade pública e uma sensação de intimidade”. Siza queria ser escultor e tornou-se um dos maiores arquitetos de Portugal. Souto trabalhou no estúdio do seu mentor até que se estabeleceu por sua conta, também no Porto.

Iniciamos esta rota em Braga e rumamos a Lisboa, passando pelo Porto e por Cascais, para conhecermos as suas obras mais emblemáticas.

Braga

Souto de Moura tem muitas obras reconhecidas também fora de Portugal, como o metro de Nápoles ou um crematório na Bélgica. Mas prefere trabalhar em casa, em locais como Braga, onde se localizam três celebradas obras. Reformou o Mercado do Carandá: foi-lhe pedido um projeto de intervenção para uma obra que ele mesmo desenhara 20 anos antes para substituir outro mais antigo, mas que nunca chegou a funcionar como mercado. Hoje é um centro cultural que alberga exposições, dança e escola de música.

Também é da sua autoria o estádio de futebol, provavelmente a obra mais conhecida deste arquiteto a quem Cristiano Ronaldo encarregou de conceber uma casa que acabou por não poder ser construída porque havia árvores protegidas no terreno. Segundo os jurados do Pritzker, “o estádio é um trabalho musculoso, monumental, inserido na poderosa paisagem circundante”. Com capacidade para mais de 30 mil espectadores, foi construído para o Euro 2004 no terreno de uma antiga pedreira, onde se eleva uma estrutura de betão aproveitando a tipografia do terreno. O resultado é um impressionante estádio talhado na rocha.

E a 15 quilómetros a norte da cidade, a Pousada de Santa Maria do Bouro, em Amares, também tem o seu selo. Souto de Moura reabilitou um mosteiro cisterciense do séc. XII para convertê-lo num hotel: pura harmonia numa sequência limpa de fachadas, corredores e janelas, combinando os elementos originais com as modernas composições do arquiteto, mestre da sobriedade.

Porto

O restaurante Boa Nova Casa de Chá foi um dos primeiros projetos de Siza Vieira na costa de Matosinhos. O projeto chegou às suas mãos através de um dos pais da “Escola do Porto” e da arquitetura moderna portuguesa, o grande Fernando Távora, que ganhou o concurso em 1956. E o jovem Siza lançou-se à paisagem da sua infância. O resultado é um espaço intimista, em contacto direto com as rochas e o Atlântico, com dois salões (sala de chá e restaurante) e vistas sobre o oceano. Visita imprescindível em todas as viagens ao Porto, Siza acaba de reabilitar este local único que funciona como restaurante do chef Rui Paula, e pode ser visitado graças à associação com a Casa da Arquitetura.

Muito próximas estão as piscinas de Leça da Palmeira, outro dos seus projetos mais antigos, de 1966. São duas piscinas, solários, vestiários e um bar/lounge sobre as rochas, projetado do mar, integrando a paisagem com a arquitetura. Nos anos 70 colaborou com o programa SAAL de habitação social nos bairros de São Vítor e da Bouça. Em 1995 assinou o projeto da Faculdade de Arquitetura, cujos edifícios se erguem sobre terraços com vista para a foz do rio Douro. Siza desenhou com especial cuidado o mobiliário para as aulas, o auditório, a biblioteca e as claraboias que a atraem a luz natural para os espaços principais. Um ano depois terminou a igreja de Marco de Canaveses. Em 1997 assinou o museu da Fundação Serralves, para albergar as salas de arte contemporânea. Localizado na quinta homónima, está em discurso direto com a moradia dos anos 30. Uma vez mais, tudo em Serralves tem o seu selo.

Entre os projetos de Souto de Moura na sua cidade natal destaca-se a reconversão do edifício da Alfândega do Porto em Museu dos Transportes e Comunicações em 1994, situado na margem norte do Douro. A sua fachada principal tem vistas sobre o rio e domina a antiga entrada da cidade nobre. No ano seguinte desenhou um edifício residencial na Rua do Teatro e, entre 1997 e 2004, a estação de metro da Casa da Música, que serve a emblemática Casa da Música construída por OMA (o estúdio de Rem Koolhaas) em 2005. “Quando estava a desenhar o metro do Porto não havia fórmulas. Tive que descobrir a escala da cidade como um médico examina um paciente para descobrir o que se passa. Ao fazê-lo pensei que as coisas não eram tão cartesianas como inicialmente pareciam ser. Sem fazer experiências, esta profissão é muito aborrecida. E como o mundo não é a preto e branco, podemos experimentar”, comenta Souto de Moura, também responsável pela Casa da Quinta Avenida, com 28 habitações unifamiliares e pelo edifício de escritórios Torre Burgo, na Avenida da Boavista, duas construções que se abrem para uma grande praça.

Cascais

Souto de Moura desenhou em 2008 a Casa das Histórias Paula Rego em Cascais, edifício inspirado nas tipologias típicas locais, mas reinterpretadas de forma contemporânea. Tem duas torres em forma de pirâmide de cor tijolo, rodeadas por árvores e no interior – em tons neutros, pavimentado com o típico mármore azul de Cascais – conta com 750 m2 de espaço de exposições e um auditório. O arquiteto desenhou-o segundo os desejos da artista, e foi a própria Paula Rego que escolheu Souto de Moura para se encarregar do projeto.

Lisboa

Metro Baixa-Chiado

“Nós, arquitetos, organizamos o espaço para que o homem viva. Se ignoramos o homem, a arquitetura torna-se desnecessária”, diz Álvaro Siza Vieira. E foi isso que fez no Chiado, em Lisboa: reconstruiu o coração da cidade depois de um incêndio que começou na madrugada de 25 de agosto de 1988 nos Armazéns Grandella e propagou-se por todo o bairro histórico. Dois mortos, oito hectares de prédios residenciais e comerciais afetados e a destruição de alguns dos seus edifícios mais emblemáticos  foram o balanço trágico das chamas. “Tive medo quando fui encarregue da reconstrução”, confessa Siza, cujo objetivo neste projeto era conseguir com que parecesse que “não tivesse havido um incêndio no Chiado”. Foram precisos vários anos de trabalho árduo para recuperar o que se perdeu. Hoje pode ser apreciado por todos, lisboetas e visitantes, tal como a sua estação de metro Baixa-Chiado.

E o Pavilhão de Portugal, construído para a Expo 98, situado junto ao Tejo, com a sua enorme e delgada pala de betão entre dois pórticos, e vistas deslumbrantes para o rio. Leve e poderoso, é a obra mais emblemática do Parque das Nações, espaço público que continua cheio de vida depois da exposição numa franja que se estende por cinco quilómetros ao longo do rio com espaços verdes, arquitetura e arte.

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