Os 10 jardins mais bonitos de Portugal

Jardins mágicos

Quer seja para aproveitar as brisas amenas da Primavera ou procurar uma sombra agradável no calor do Verão, apresentamos aqui dez dos mais belos jardins e parques do nosso país. Percorremo-los de Norte para Sul (sem esquecer as ilhas) porque… não conseguimos de entre estes escolher verdadeiramente os nossos favoritos.

O clima ameno de Portugal, a sua posição entre os ares mornos do Mediterrâneo e os ventos do Atlântico, a meio caminho entre a Europa e um passado colonial que percorreu o resto do mundo, tudo isto deu-nos a oportunidade e puxou pela nossa imaginação. Com um pouco de cada e alguma arte, Portugal tem jardins e parques de muitos tipos diferentes, mas sempre de imensa beleza.

Parque de Serralves

Serralves, junto à Avenida da Boavista, é destino fundamental na cidade do Porto pelo seu Museu de Arte Contemporânea (desenhado pelo arquiteto Álvaro Siza Vieira), pela Casa (exemplar único da arquitetura Art Déco do princípio do Século XX no país) e pelo Parque que a rodeia. Serralves é uma referência singular no património da paisagem no nosso país, sintetizando e simbolizando uma aprendizagem e um conhecimento do território, no espaço e no tempo, num contexto cultural: Portugal e os séculos XIX e XX.

São 18 hectares resultado de um projeto original do arquiteto Jacques Gréber em 1932. Aberto ao público desde 1987, o parque resulta de processos de desenho de uma paisagem ao longo de mais de um século, constituindo uma unidade temporal e espacialmente complexa, com mais de 230 espécies vegetais nativas e exóticas. Inclui vestígios de um jardim do século XIX, a Quinta do Mata-Sete, o jardim da Casa de Serralves, assim como a paisagem do Museu de Arte Contemporânea.

Serralves-(4)

Nos caminhos de Serralves podemos também encontrar numerosos exemplos de esculturas e instalações contemporâneas e animação todo o ano, com mercados sazonais, ou, por exemplo, Serralves em Festa, o Jazz no Parque ou a iniciativa Há Luz no Parque, em que o público poderá visitar o Parque à noite e conhecer ou revisitar percursos, árvores e elementos construídos icónicos decorativamente iluminados.

Mata Nacional do Buçaco

No centro do país, perto de Coimbra, encontramos a Mata Nacional do Buçaco, no extremo Noroeste da Serra do Buçaco. Com 549 m de altitude, a sua localização geográfica confere-lhe um microclima muito particular, com temperaturas amenas, elevada precipitação e frequentes nevoeiros matinais, que inspiram o romantismo do visitante, mas, mais que isso, favorecem a ocorrência de elevada biodiversidade. Assim, nas encostas expostas a Sul sobressai uma vegetação tipicamente mediterrânica e nas encostas mais a Norte uma vegetação característica de clima temperado.

Atualmente, a mata ocupa uma imensa área de cerca de 105 hectares e possui uma das melhores coleções da Europa: são cerca de 250 espécies de árvores e arbustos com exemplares notáveis. É uma das Matas Nacionais mais ricas em património natural, arquitetónico e cultural. Vale a pena destacar o Arboreto (carvalhos, azereiros e loureiros, mas também cedros, sequoias, araucárias e eucaliptos) e os Jardins e Vale dos Fetos (construídos no final do século XIX, incluindo uma cascata e um lago).

Bussaco-(2)

E onde ficar, enquanto se visita esta área protegida? No Palace Hotel do Buçaco, claro, projeto neomanuelino do final do século XIX do arquiteto Luigi Manini, o mesmo da Quinta da Regaleira, em Sintra. Mas a história do edifício é mais antiga: os monges Carmelitas construíram na mata o Convento de Santa Cruz do Buçaco, destinado a albergar essa ordem monástica, que existiu entre 1628 e 1834, data da extinção das ordens religiosas em Portugal.
Em 1888 foi iniciada a construção do Palácio Real (que alberga atualmente o hotel) no local do convento (parcialmente demolido), e aí nasceria este palácio do povo, como lhe chamou o Ministro das Obras Públicas de D. Maria Pia.

Quinta das Lágrimas

A Quinta das Lágrimas em Coimbra deve o seu nome às desventuras do romance entre a dama Inês de Castro e o príncipe D. Pedro. A romântica tragédia coloca neste local a morte da bela Inês. A Fonte dos Amores já aparece documentada pouco depois da morte de Inês, e integra-se hoje num parque de árvores centenárias, ruínas medievais e neogóticas, tanques e regatos.

No lugar da Quinta, existe hoje um hotel, membro da Small Luxury Hotels of the World, retiro de conforto e paz num palácio do século XVIII bem no centro da cidade. O palácio por onde passaram Reis e Imperadores foi restaurado na Primavera de 2016 em toda a sua grandiosidade e é hoje um hotel-monumento que homenageia a lenda de amor entre o Príncipe Pedro e a bela Inês de Castro.

Lágrimas

Os 12 hectares de jardins botânicos em torno do hotel são um verdadeiro Museu Vegetal onde estão expostos exemplares de árvores provenientes dos cinco continentes. Algumas das espécies que lá se podem encontrar são mesmo únicas em Portugal. Da coleção das Lágrimas constam árvores tão variadas como figueiras da Austrália, canforeiras, plátanos, sequoias e palmeiras, entre centenas de outras. As tradições populares dizem que o fantasma de Inês ainda percorre o jardim, eternamente em busca de Pedro. Se tiver sorte talvez se cruze com ela…

Parque D. Carlos I

D-Carlos-IA existência de um parque do hospital termal nas Caldas da Rainha remonta a um espaço arborizado, anexo à “Casa da Convalescença” erguida no reinado de João V de Portugal, integrado na Mata Rainha D. Leonor, onde os doentes podiam passear e convalescer. E até à época do Marquês de Pombal a zona do atual parque era constituída por essas terras de vinha e de oliveiras.

Mais tarde, na passagem do século XVIII para o século XIX, os conceitos de lazer e de divertimento integram-se como um novo elemento, complementar à ação terapêutica. Neste contexto foi implantado o chamado “Passeio da Copa”, jardim, tipicamente barroco, com elementos como escadarias, muros de suporte e eixos de simetria. No final do século XIX, o jardim recebe o seu nome atual, em homenagem ao rei D. Carlos, e vê-se acrescentado de um lago artificial.

Para além das árvores seculares, sebes de flores variadas e coloridas, e dos azulejos e bicas de cantaria, o parque conta hoje com equipamento recreativo e infraestruturas onde se destacam o lago com barcos, o coreto, o restaurante-bar com esplanada, o parque de merendas e o campo de ténis. Do ponto de vista cultural, vale a pena ainda visitar o Museu de José Malhoa (inaugurado em 1934, na “Casa dos Barcos”) e as numerosas esculturas distribuídas pela área do parque.

Tapada de Mafra

A Tapada Nacional de Mafra é o maior e mais selvagem espaço desta nossa breve visita pelos jardins e parques de Portugal. São 1187 hectares de área rodeados por um muro de 21 km de extensão. Note-se que nem toda a Tapada é visitável. Cerca de um terço está sob administração militar. A Tapada de Mafra foi criada em 1747, no reinado de D. João V, na sequência da construção do Convento e Palácio de Mafra, que lhe é contíguo. Conhecida então como Tapada Real de Mafra, surgiu com o objetivo de criar uma zona de lazer real vocacionada para a caça para entretenimento da família real e da nobreza. Na atualidade, a zona é ainda usada para a caça, feita de forma limitada, e para turismo rural e lazer, com um dinâmico programa de atividades ao longo do ano.

A fauna da área é marcada pela presença de espécies como o gamo, o veado-vermelho e o javali, além do lobo ibérico, a raposa e a gineta. Entre as aves de rapina, conhece-se a existência de alguns espécimes de bufo-real, águia de Bonelli, açor e peneireiro-vulgar, entre outras. Outras aves incluem o gaio comum, a perdiz, o tentilhão e o rouxinol.

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A diversidade florestal da área é considerada a grande riqueza da Tapada de Mafra. Abundam espécies como o pinheiro-manso e o pinheiro-bravo, o sobreiro, o carvalho lusitano e o zambujeiro, um tipo de oliveira selvagem. O eucalipto é também abundante mas não uma espécie desejada na zona, estando a sua erradicação em progresso. Outras árvores presentes na Tapada são o choupo, o plátano, o salgueiro e o freixo. E já pensou em dormir na floresta? Ideal para um fim-de-semana em família ou com um grupo de amigos, o contexto é perfeito! O “bom dia” dado pelos muitos passarinhos que vivem nestas árvores é o suficiente para que todos tenham energia para partirem à descoberta dos segredos desta floresta, num grande passeio a pé (oferecido a todos os hóspedes).

Parque da Pena

O Parque e o Palácio da Pena, implantados na serra de Sintra e frutos do génio criativo do rei-consorte D. Fernando II, são o expoente máximo do Romantismo do século XIX em Portugal. O Palácio, com referências arquitetónicas de influência manuelina e mourisca, foi construído para ser observado de qualquer ponto do Parque, floresta e jardins luxuriantes com mais de quinhentas espécies arbóreas oriundas dos quatro cantos do mundo. E do Palácio, claro, a vista sobre o Parque e toda a zona é deslumbrante. Um dia bem passado às portas da capital.

Mas a Pena não é (apenas) um “jardim”. O Parque é composto por cerca de 200 hectares, com características muito diversas, servidos por uma extensíssima rede de caminhos que se constituem como um verdadeiro e intencional labirinto. No seu interior, erguem-se construções de rara beleza, como o Chalet da Condessa d’Edla (segunda mulher de D. Fernando II), o Templo das Colunas (no Alto de Santo António), o Trono (único existente dentro de muros, incluindo o interior do próprio Palácio Real…) ou os Lagos.

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Servido por treze portões, com onze lagos, os seus pontos mais notáveis são o jardim labiríntico da entrada dita principal, o picadeiro, o alto de Santo António e a estátua do Guerreiro, a Cruz Alta, a Gruta do Monge, o trono do Alto de Santa Catarina, os Lagos (todos), as Feteiras, estufas, a Fonte dos Passarinhos, o Chalet da Condessa, o Alto do Chá, a Abegoaria (em ruína), a zona do Tanque dos Frades/Capela Manuelina e, naturalmente, o Palácio da Pena.

Jardim Botânico Tropical

O Jardim Botânico Tropical situa-se em Lisboa, na zona monumental de Belém, junto ao Mosteiro dos Jerónimos, grande polo turístico da cidade por excelência. Está também ele classificado como monumento nacional e ocupa uma área total de cerca de 7 hectares, integrando um Parque Botânico aberto ao público com 5 hectares. Criado em 1906, o Jardim Botânico Tropical reúne um conjunto de cerca de 600 espécies originárias de vários continentes, árvores de porte notável, espécies em risco de extinção, outras já extintas no seu habitat natural e algumas existentes há mais de 200 milhões de anos. A maioria das espécies é de origem tropical ou subtropical. Quem passear no jardim, poderá também descobrir uma casa do século XVII e um palácio setecentista, além de estátuas em mármore de Carrara de Bernardino Ludovici (1693-1749), Giuseppe Mazzuoli (1624-1725) e outros artistas, tanto no jardim como no palácio.

Tropical

Desde 2015 que o Jardim Botânico Tropical integra a Universidade de Lisboa, sendo atualmente gerido em conjunto com o Museu de História Natural e da Ciência e o Jardim Botânico de Lisboa e desenvolvendo atividades de caráter científico, educativo, cultural e de lazer, no âmbito da preservação e valorização do património e da difusão da cultura científica sobre a ciência tropical e a história e memória da ciência e da técnica nos descobrimentos, na expansão e na colonização portuguesas.

Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian

GulbenkianA Fundação Calouste Gulbenkian dispensa apresentações. É um dos polos culturais mais dinâmicos da cidade de Lisboa, desempenhando igualmente um papel fundamental no apoio à ciência e sociedade. A sua sede, na Avenida de Berna, é um dos edifícios icónicos da cidade, mas talvez mais que o edifício, é o jardim que a rodeia que oferece aos habitantes e turistas um local único de descanso, passeio e aprendizagem.

São nove hectares construídos na década de 60, segundo projeto dos arquitetos paisagistas António Viana Barreto e Gonçalo Ribeiro Telles, e uma referência para a arquitetura paisagista portuguesa, com os seus espaços diversos de luz e sombra, pequenos bosques, percursos, relvados, um riacho e um lago visível do Grande Auditório quando se abre a cortina ao fundo do palco. É inesquecível, o prazer de um concerto com vista para o jardim! Do jardim, com os seus recantos de repouso e descoberta e sua riquíssima flora e fauna, podemos aceder facilmente ao Museu, com a Coleção do Fundador, a Coleção Moderna e exposições temporárias, assim como à Biblioteca de Arte.

Durante todo o ano, numerosas atividades educativas e recreativas para a família animam o jardim, duas esplanadas oferecem descanso ao visitante, esculturas contemporâneas pontuam a paisagem e o auditório ao ar livre é palco também para a cultura – a não perder, o Jazz em Agosto.

Jardim Monte Palace

Diz-se que toda a Madeira é um jardim, de vegetação luxuriante, com vistas de cortar o fôlego sobre o Atlântico. Vale a pena passear por toda a ilha e descobrir a diversidade de paisagens que ela revela, com recantos luxuriantes, percursos montanhosos e piscinas naturais vulcânicas, mas porque não subir de teleférico do Funchal e descobrir o Jardim Monte Palace, como um dos melhores exemplos dessa riqueza. No séc. XVIII, o Cônsul inglês, Charles Murray, comprou uma propriedade a sul da igreja do “Monte” e transformou-a numa das mais belas quintas dos arredores do Funchal, a “Quinta do Prazer”. Em 1897, Alfredo Guilherme Rodrigues, inspirado nos palácios que havia visto nas margens do Rio Reno, construiu nela uma residência apalaçada, mais tarde transformada no Monte Palace Hotel.

Monte-Palace

Já em 1987, Joe Berardo fez aí nascer o Jardim Tropical Monte Palace, desde então enriquecido com plantas exóticas endémicas de vários países (Cicas e próteas da África do Sul, azáleas da Bélgica, urzes da Escócia, etc.), assim como, com plantas indígenas das florestas madeirenses (Laurissilva, fetos, cedros, loureiros, loureiros das Canárias, etc.). O Jardim Tropical Monte Palace ocupa hoje uma área de 70.000 m2 e alberga uma abundante coleção de plantas exóticas, provenientes dos quatro cantos do mundo, juntamente com elegantes cisnes e patos, que povoam a lagoa central, pavões e galinhas, que circulam livremente nas restantes áreas do Jardim. Ainda no Jardim, não pode perder o Museu Monte Palace, um espaço expositivo com três galerias. Duas estão dedicadas à escultura sendo que outra alberga uma coleção de minerais provenientes dos quatro cantos do Mundo.

Parque Terra Nostra

Há um jardim no Vale das Furnas, na ilha de São Miguel, nos Açores, há mais de duzentos anos. Do alto do Miradouro do Pico do Ferro percebe-se que as Furnas não são propriamente um vale. É uma cratera, com 7 quilómetros de diâmetro, última memória de um vulcão há muito inativo. É aqui, nesta ilha das nove que compõem o arquipélago, que vamos encontrar o nosso último jardim, o Parque Terra Nostra. Embora inicialmente ignorado pelos primeiros povoadores, o Vale das Furnas começou a ser popular no final do séc. XVIII, devido ao crescente interesse no uso de águas minerais para o tratamento de doenças como o reumatismo e a obesidade. As Furnas possuíam centenas de pequenas nascentes e cursos de água, todas com diferentes propriedades. O Parque Terra Nostra, um dos mais bonitos do mundo, segundo a revista Condé Nast Travel, está bem no centro desta magnífica hidrópole.

A fundação deste jardim botânico recua a 1780, quando o então Cônsul dos Estados Unidos na ilha de São Miguel, Thomas Hickling, mandou construir neste espaço a sua residência de Verão, então conhecida como Yankee Hall. Decorriam já os anos 30 do século XX, quando o Parque Terra Nostra foi adquirido por Vasco Bensaúde, que viu neste parque um complemento ao acabado de inaugurar Hotel Terra Nostra.

Terra-Nostra

Nesta altura o parque é de novo ampliado, alcançando a área de 12,5 hectares que hoje alberga espécies de zonas tão distantes e díspares como a América do Norte, a Austrália, a Nova Zelândia, a China e a África do Sul. O parque encerra também uma das maiores coleções do mundo de camélias, tendo mais de 600 géneros diferentes, e também a maior coleção da Europa de Cicas. Uma última sugestão… um mergulho na piscina de água férrea vulcânica e natural de cor castanha, cuja temperatura ronda os 25 graus, forrada a pedra de cantaria. Água quente o ano todo? Sim, por favor.

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