Gastronomia

Portugal é famoso pela sua gastronomia mas indo um pouco além dos pratos óbvios que os turistas provam nos grandes centros, decidimos criar para si uma rota de sabores regionais inesquecíveis. São apenas sugestões, de norte a sul, com um salto às ilhas, muito ao nosso gosto, muito mais fica por provar.

Feijoada à Transmontana (Valpaços)

Feijoada Transmontana web

Diz quem sabe que a verdadeira Feijoada à Transmontana tem de começar a ser preparada de manhã cedo pois para ser melhor saboreada, deve retirar-se do lume, deixar descansar e reaquecer.

Os ingredientes mais importantes são o feijão encarnado e a carne de porco, claro, mas são os enchidos (salpicão, chouriço, linguiça, presunto) que lhe dão o sabor único. Como tempero: sal, pimenta, colorau, malagueta, louro, alho e, caso goste, cravinho. A acompanhar, um arroz branco é de lei.

É um prato de fim-de-semana, para comer e descansar depois. Em Valpaços, diz a tradição, come-se no Domingo Gordo antes do Carnaval, ou não fosse esta época de festa.

Bacalhau à Gomes de Sá (Porto)

bacalhau gomes sa web

Bacalhau é de longe, o mais popular peixe que se come em Portugal, confecionado de mil e uma maneiras um pouco por todo o país. O mais tradicional do Porto leva o nome de um comerciante do dito peixe. José Luís Gomes de Sá Júnior era um portuense da passagem do século XIX para o século XX que tinha o seu armazém, pois claro, na Ribeira.

A receita original tem como base bacalhau seco (o que se come por cá) lascado finamente e amaciado em leite durante cerca de uma hora e meia a duas horas. Cozinha-se depois em azeite, alho e cebola, e acompanha-se com azeitonas pretas, salsa e ovos cozidos. Nada mais simples e saboroso.

À refeição, sugerimos, claro, um vinho verde ou um vinho do Douro.

Leitão da Bairrada (Mealhada)

Leitao Bairrada web

O Leitão da Bairrada foi, apropriadamente, eleito uma das Sete Maravilhas Gastronómicas de Portugal, e leva à região turistas ansiosos por provar o petisco. Em tempos, a preparação do leitão era todo um ritual que ia da matança à alegria da refeição. Hoje, embora seja ainda essencial nas festas da região e de todo o país, é muito fácil de encontrar e saborear em qualquer restaurante.

O leitão é assado no espeto lentamente durante duas horas, girando sempre, mas o segredo talvez esteja no tempero com que é untado antes de ir ao lume: um preparado com alho, sal pimenta, salsa, toucinho, manteiga de porco e folha de louro. Para garantir a pele estaladiça, há que ter arte e ir regando com vinho… da Bairrada, claro.

Diz a tradição que o leitão deve ser comido com batata cozida com pele e uma salada, separando bem os sabores à mesa. Mas se estiver com pressa… prove uma sandes ou um rissol de leitão. Não se vai arrepender.

Chanfana (Miranda do Corvo)

Chanfana web

Miranda do Corvo é a capital da chanfana e o nascimento deste prato típico está envolto em lenda. Terá nascido no Mosteiro de Semide, como forma de conservar a carne de cabra o ano todo, mas terá talvez sido particularmente útil durante as Invasões Francesas, quando a população envenenou a água e cozinhar e conservar a carne se tornou problemático.

Era também uma maneira de aproveitar a carne das cabras velhas dos rebanhos da região centro, que, com esta receita, ganhavam nova textura e sabor.

Tempera-se a carne com sal, cabeças de alho inteiras, colorau, pimenta e louro. Cobre-se com vinho tinto. Se quiser, junte presunto, piripiri ou salsa. Essencial é deixar a marinar durante a noite e cozinhar durante quatro a cinco horas, de preferência em forno de lenha. Se tudo isto demorar demais para a sua fome, em qualquer restaurante da região centro vai encontrar as melhores chanfanas.

Arroz de Marisco (Praia de Vieira)

Arroz de Marisco web

É fácil encontrar arroz de marisco um pouco por toda a costa atlântica, ou não fosse ela longa e a gastronomia um dos grandes atrativos de Portugal. É na Praia de Vieira no distrito de Leiria, contudo, que se encontra o arroz que foi eleito uma das Maravilhas Gastronómicas do país.

A parte do arroz é a mais simples: um bom refogado chega. O truque está em usar a água em que se cozinhou o marisco (ou abriu as amêijoas) para enriquecer o sabor. A escolha do marisco também pode variar mas é essencial ter amêijoas, santola, sapateira e camarão. Lagosta… se o orçamento permitir. O segredo final está no tempero mais ou menos picante e nos tempos de cozedura para o apurar. Coentros no fim, para quem gostar.

Depois é só encontrar uma mesa com vista de mar e maravilhar-se com o paladar.

Amêijoas à Bulhão Pato (Lisboa)

ameijoas bulhao pato web

Raimundo António de Bulhão Pato (1828-1912) nasceu em Bilbau mas cedo se mudou para Lisboa, foi escritor, poeta e político mas a sua fama chegou aos nossos dias como gastrónomo e criador de receitas. De entre estas, as amêijoas que levam o seu nome são de longe a mais famosas.

A simplicidade é regra aqui. Há que lavar bem as amêijoas, deixando-as antes em água por umas duas ou três horas. Fritam-se alhos esmagados em azeite no lume brando e juntam-se as amêijoas limpas de areia e impurezas. Sacode-se sempre até as amêijoas abrirem todas, tempera-se com sal e pimenta, juntam-se os coentros, rega-se com o sumo de limão e o vinho branco. E já está!

Tão delicioso como as amêijoas é o molho que as envolve, não deixe de escolher um bom pão fresco para o apreciar.

Choco Frito (Setúbal)

Choco Frito web

Pode fazer choco frito em casa, a receita não é difícil, embora possa demorar um pouco. Mas porque não dirigir-se a Setúbal, onde este petisco é rei e pode ser encontrado em qualquer restaurante ou tasca, simples e saboroso?

Se quiser tentar imitar o sabor inimitável, alguns passos a seguir: escalde o choco cortado em tiras durante quinze minutos em água aromatizada com alho, louro, salsa, sal e malagueta; deixe a marinar com sumo de limão, alhos, louro e manjericão durante doze horas, para ganhar ainda mais sabor; tempere-o com alho esmagado, pimenta e picante; passe por farinha e ovo, frite em azeite e óleo até aloirar.

Já à mesa, tempere com umas gotas de sumo de limão, e sinta a diferença!

Ensopado à Pastora (Beja)

Ensopado Pastora web

Bem no meio do Baixo Alentejo, recomendamos o Ensopado de Borrego à Pastora, prato típico de Beja. Um borrego pequeno dá para um belo almoço com família e amigos.

Corta-se o borrego aos bocadinhos e tempera-se com sal. Deita-se o azeite no fundo de um tacho e introduz-se a cebola com a casca, o alho e o louro. Quando o azeite estiver bem quente, junta-se a carne e tempera-se com sal e pimenta. Tapa-se e leva-se a cozer em lume muito brando, agitando-se o tacho de vez em quando e juntando pinguinhos de água. Retificam-se os temperos (sal e pimenta) e a água. Corta-se o pão às fatias finas para um prato coberto e rega-se com o ensopado.

Não tem nada que saber e o resultado é delicioso.

Cozido das Furnas (Furnas)

Cozido das Furnas web

No meio da Ilha de São Miguel, arquipélago dos Açores, na ampla cratera das Furnas, na margem da Lagoa com o mesmo nome, a terra ainda borbulha de água fervente e mantém-se quente pela força do vulcão adormecido. É aqui que se prepara uma das iguarias da região, o cozido das Furnas.

Se o comer num restaurante, tem de encomendar previamente, se decidir cozinhá-lo, tem de reservar um dos buracos no chão onde o calor natural coze lentamente os ingredientes.

Tudo neste cozido cozinha ao mesmo tempo, o truque está na ordem com que os ingredientes são colocados na panela: porco, vaca, repolho, couve, batatas, inhame, cenouras, galinha, chouriço e a orcela enrolada numa folha de couve. Tempere com sal e pimenta. Por fim é só colocar a panela dentro de uma saca e deixe cozer num dos buracos destinados para este fim, no Vale das Furnas.

Cozido come-se um pouco pelo país todo mas feito assim, na terra vulcânica, só este!

Espetada em Pau de Louro (Estreito de Câmara de Lobos)

Espetada em Pau de Louro web

A nossa última paragem é na maravilhosa Ilha da Madeira para provar um dos pratos regionais mais apetitosos, a espetada em pau de louro. Esta iguaria começou por ser um prato típico de arraiais e romarias e, no início, seria acompanhado apenas de pão e vinho. Por volta de 1950, abre o primeiro restaurante de espetadas, no Estreito de Câmara de Lobos, o que terá associado o prato à localidade.

A carne é de vaca e cortada em cubos iguais. O tempero é sal grosso, alho esmagado e folhas de louro. As espetadas são enfiadas em pau de louro e grelhadas na brasa. Atenção que em alguns sítios o tradicional ramo de loureiro foi já substituído pelo espeto de ferro ou alumínio, mas o sabor não é o mesmo.

A acompanhar, uma salada de tomate e alface, o milho frito, a semilha (regionalismo para batata frita) e o bolo do caco. Não vai querer outra coisa!

Qual o Ford ideal para esta viagem? Peça aqui o seu test drive

Faça aqui o download do seu catálogo

Configure aqui o seu Ford