Portugal em livrarias

Qualquer altura do ano é boa para ler um livro (ou dois, ou três) mas o frio e a chuva do Inverno (ou neve!) parecem convidar ainda mais a aninharmo-nos no calor do lar com uma boa história (ou poesia, ou banda desenhada, ou… vocês percebem).

Trazemo-vos, por isso, a nossa rota de livrarias de norte a sul do país. Muitas mais ficaram de fora, estes são apenas alguns bons exemplos. Entrem no vosso Ford e não deixem de visitar a livraria mais perto para encontrar a vossa próxima paixão literária.

Traga-Mundos (Vila Real)

Começamos no nordeste do país onde, precisamente, neva, no Inverno. É em Vila Real que está a livraria Traga-Mundos, especializada na região onde se insere, Trás-os-Montes e Alto Douro.

Como nem só de letras se alimenta uma pessoa, na Traga-Mundos, os livros de e sobre a região misturam-se com o artesanato e também com os vinhos, o mel, os doces, num espaço confortável, decorado com um olhar para a tradição e outro para o conforto – aterre num dos poufs ou sofá, a folhear um livro antes de o comprar.

A animação é constante, na Traga-Mundos: ali realizam-se tertúlias, lançamentos, workshops e muitos mais eventos. É um excelente ponto de partida para a nossa rota mas também para passear pela região, com tudo o que nos dá a descobrir.

Centésima Página (Braga)

Como qualquer boa livraria, a Centésima Página, em Braga, mais do que um lugar para comprar livros, é um sítio onde apetece ficar e conviver com eles.

Desde 2005, a Centésima Página habita a Casa Rolão, na Avenida Central, no coração da cidade, um belo exemplar de arquitetura do século XVIII, em estilo barroco. É atribuída a André Soares e terá sido construída entre 1759 e 1765 para um industrial bracarense. Está classificada como de Interesse Público desde 1977 e faz parte dos tours à arquitetura barroca da cidade.

Nesta livraria independente, para além dos livros, atividades não faltam: exposições, apresentações de livros, debates, concertos, animações infantis (no espaço 100topeia), ateliers, entre outros.

No espaço da Casa Rolão existe ainda uma cafetaria e um jardim, onde se respira tranquilidade. Talvez aí nos inspire a frase de Camus que apresenta no seu site na Internet: “Se tivesse que escrever um livro de moral, as primeiras 99 páginas ficariam em branco e na 100ª PÁGINA escreveria uma só frase: Existe um único dever, o dever de amar”.

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Livraria Lello (Porto)

A Livraria Lello, no Porto, mesmo ali ao pé dos Clérigos, num edifício do princípio do século XX na Rua das Carmelitas, é com merecimento muitas vezes considerada a livraria mais bonita do mundo. Tal é o afluxo de turistas interessados em conhecer e visitar a livraria, que é preciso pagar bilhete para entrar! Mas não se preocupem os amantes de livros. O preço é simbólico, o valor pago pode ser descontado em livros comprados e, com a entrada controlada, torna-se mais fácil circular, folhear e comprar livros. E nas estantes… mais de cem mil volumes por onde escolher.

Entre e sinta-se inspirado pela curvilínea escadaria encarnada que nos leva ao primeiro andar, pelo vitral no teto que ilumina o espaço, pelas estantes de madeira talhada e pelas colunas douradas. J.K. Rowling, autora de Harry Potter (e não só), já confessou o quanto a Lello a inspirou, quando viveu no Porto.

A Livraria Lello é um espaço centenário de cultura que transmite perfeitamente a identidade da cidade, uma tribuna de livre pensamento que manteve o mesmo espírito jovem e irreverente que sempre a caracterizou, uma porta viva de acesso à história, um espaço cosmopolita visitado por mais de um milhão de pessoas todos os anos.

Mundo Fantasma (Porto)

Junto à Rotunda da Boavista, no centro comercial Brasília, a livraria especializada Mundo Fantasma, é uma das mais procuradas no país por amantes da banda desenhada, dos comics e do anime.

É a primeira livraria especializada da nossa lista mas não deixa por isso de ser riquíssima de variedade e volume de oferta. O nome é homenagem à obra homónima de Daniel Clowes (aconselhamos a leitura).

Não é a única do país (aconselhamos também a BdMania em Lisboa, também ela parte da história da Mundo Fantasma) mas a paixão dos seus donos e dos clientes que desde os anos noventa do século passado os seguem, faz com que tenha ganho o prémio de Livraria Com Melhor Catálogo numa eleição ‘online’ promovida pela Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) em 2017.

Presente em salões da especialidade, organizando exposições, com mesas para jogar e conviver e funcionando também como editora, a Mundo Fantasma é uma paragem obrigatória neste nosso roteiro.

Almedina Arco (Coimbra)

Criada pelo fundador da Editora Almedina, Joaquim Machado, em 1955, a livraria do Arco foi a primeira das livrarias Almedina a entrar em funcionamento.

Situada na zona histórica, a pouca distância do Arco de Almedina, uma grande porta de entrada da baixa para a alta de Coimbra, serve sobretudo o público estudantil e jurídico da cidade, assim como os seus inúmeros visitantes. A sua oferta está centrada nas ciências humanas, jurídicas e económicas, mas há lugar, é claro, para as melhores novidades de ficção.

Note-se já agora que o arco que dá nome à livraria e editora era a principal porta da muralha medieval. Atribui-se a parte mais antiga da porta ao século IX, mas o seu aspeto atual poderá ser resultante de uma reforma do início do século XVI, por ordem de D. Manuel I.

Luminosa e discreta na decoração, a livraria leva-nos o olhar para o mais importante, os milhares de lombadas de livros que forram as paredes, num espaço pequeno mas onde a qualidade do atendimento está garantida. Não deixe de entrar.

Aqui Há Gato (Santarém)

A livraria infantil Aqui Há Gato em Santarém, junto à bela igreja de São Nicolau, é desde 2007 o centro de um sem número de atividades dedicadas às crianças: pintar, esculpir, escrever, dançar, fazer teatro, além de, é claro, ler. É um mundo mágico desde a montra ao quintal.

Contadores de histórias, livreiros, atores, artistas plásticos, psicólogos e educadores servem de guias em aventuras e sonhos que vale a pena experimentar.

Na livraria vive uma seleção de qualidade de livros infantojuvenis para todos os gostos e para todas as idades: para bebés (cartonados, em tecido, de banho, de madeira, álbuns), livros para meninos e meninas que gostam de ouvir histórias, livros para os que já conseguem ler sozinhos, livros de pintar, livros de exercícios, livros para descobrir e livros que ensinam a fazer.

Há também coleções juvenis para os que já devoram livros e ainda livros para os adultos aprenderem mais sobre crianças.

Claro que se tudo isto não chegar, vale sempre a pena entrar para fazer uma festinha à gata residente, a Maçaroca.

Santiago (Óbidos)

Óbidos é hoje conhecida dentro e fora de portas como Vila Literária, uma estratégia de desenvolvimento lançada em 2013 com a parceria da Ler Devagar (já lá vamos) e que pretende envolver o território de Óbidos em cultura e livros. Expressão máxima desta opção é o Folio, festival literário, mas também as inúmeras livrarias que pululam nas ruas medievais.

A Igreja de São Tiago, iniciada no século XII e um dos edifícios mais emblemáticos da vila, é agora a Grande Livraria de Santiago. Situada dentro das muralhas, na Cerca Velha, junto à entrada do castelo, neste espaço pode encontrar, além de uma grande variedade de livros, projeção de filmes, debates, lançamentos e exposições.

Não é por Óbidos ser uma vila pouco populosa que deixa de atrair milhares de turistas ao longo do ano, em busca do seu urbanismo pitoresco mas também levados pela paixão dos livros.

Se parte da sua devoção for a leitura, como a nossa é, aproveite para circular nesta igreja transformada em livraria, entre os altares, os santos, o púlpito, descobrindo livros e mais livros (laicos, na maior parte, note-se). Aproveite e sente-se numa das mesas e saboreie um chá ou um café, enquanto decide o que levar para enriquecer as suas estantes.

Galileu (Cascais)

Diz-se que o cliente mais assíduo e generoso da Livraria Galileu é ainda o presidente da república, Marcelo Rebelo de Sousa. Calculamos que agora tenha menos tempo para a visitar, mas não há de falhar naquela que é a mais famosa livraria de Cascais, há mais de quarenta anos.

Por incrível que pareça, quando a Galileu nasceu, em 1972 na Avenida Valbom, não havia uma única livraria em Cascais. Hoje resiste independente às grandes livrarias de centro comercial, ainda um polo de cultura sem igual.

A Galileu é meio alfarrabista, meio livraria mais tradicional, um casamento feliz. Compra livros usados e vende-os também, claro, além dos novos e antigos. É um espaço pequeno, cheio de livros (o que se quer numa livraria) de todos os tipos, géneros e formatos. Não faltam também as sessões de autógrafos. Nelas participaram, entre outros Marcello Duarte Mathias, José Saramago, José Eduardo Agualusa, Lídia Jorge, Clara Ferreira Alves e António Lobo Antunes.

Se tiver dúvidas em relação a entrar, demore-se um pouco na montra, decorada sempre de forma exuberante e criativa, original e plena de cultura para além das novidades do momento, as modas literárias, retrato perfeito do que encontramos no conforto do interior.

Afinal de contas, o lema continua a ser… “Mantenham a ordem na minha desordem”.

Foto: greta6, iStock

Foto: greta6, iStock

Bertrand Chiado (Lisboa)

Bem vindos então à livraria mais antiga do mundo em atividade contínua. Assim está registada no Guinness Book of Records a livraria Bertrand do Chiado, fundada em 1732 por Pedro Faure.

E que melhor local para nascer e viver, quase 300 anos depois, uma livraria? Estamos a falar do Chiado de Eça de Queiroz, Fernando Pessoa, Alexandre Herculano, Antero de Quental, Fernando Namora, José Cardoso Pires, Vergílio Ferreira, todo um mundo de escritores, todos eles, é claro, leitores antes de mais e frequentadores da Bertrand.

O ADN da Bertrand é feito de livros, claro, mas também de tertúlias, convívios, confraternizações, hoje possíveis num pequeno café acessível diretamente a partir da Rua Anchieta.

A primeira loja Bertrand abriu na Rua Direito do Loreto. Após o terrível terramoto de 1755, a livraria mudou-se para perto da Capela Nossa Senhora das Necessidades, retornando à reconstruída Baixa de Lisboa 18 anos depois, assentando arraias na Rua Garrett (outro escritor!).

Hoje as livrarias Bertrand alargaram-se a todo o país, com mais de 50 lojas, a maior rede em Portugal.

Palavra de Viajante (Lisboa)

A nossa viagem por livrarias portuguesas passa agora… por uma livraria de viagens. Até porque nunca tivemos dúvidas de que ler é viajar. Aberta na Rua de São Bento há quatro anos, a Palavra de Viajante é precisamente especializada no tema.

Diga-se que variedade não falta: há livros, guias, roteiros e mapas para quem se prepara para viajar, seja para que continente for, para o meio da natureza ou a mais densa das cidades, mas também relatos de quem já lá foi, romances, fotografia, até poesia. É o local ideal para todos os tipos de viajante, os que se querem perder no desconhecido e os que querem saber tudo sobre onde estão.

Nos acolhedores cem metros quadrados da Palavra de Viajante cabem ainda alguns acessórios ideais para quem vai embarcar na aventura e um café para quem prefere relaxar um pouco com sabores de todos os cantos do mundo.

Ler Devagar (Lisboa)

Bem no meio da LX Factory, zona de requalificação urbana de um conjunto industrial abandonado, está a Ler Devagar, um projeto que bem além da livraria, apostando num modelo que vai estendendo fora de portas. Fiquemo-nos, contudo, pelo espaço emblemático em Alcântara onde se fixou, depois da fundação em 1999, na Travessa de São Boaventura no Bairro Alto.

É difícil apontar o que faz exatamente da Ler Devagar uma das livrarias mais cool e interessantes de Lisboa: talvez seja a parede de livros logo em frente, ao fundo, quando se entra, com as escadas simétricas a percorrê-la; a bicicleta com asas que paira sobre nós ajuda, com certeza; as mesas de café também, claro; as grandes máquinas industriais no primeiro andar à direita, dão-nos o peso histórico do lugar – uma antiga tipografia.

Tudo isto colocou a Ler Devagar nos roteiros de bibliófilos e turistas que param para fotografar e ler.

A escolha de livros para ler e comprar, contudo, é o que faz desta uma livraria a não perder, com novidades literárias e fundos de catálogo em português, mas não só, sempre com qualidade, e a ajuda do livreiro em caso de dúvida.

A das Artes (Sines)

Em Sines, desde 4 de Julho de 2003, ao fundo da avenida principal da cidade, onde acabam os prédios e começam as vivendas, volta à esquerda e… Chegou! Aqui está a livraria A das Artes, eleita em 2015 e 2016 a livraria preferida dos portugueses. Ganhou durante três anos seguidos também o prémio do Melhor Atendimento.

A livraria do litoral alentejano, como se intitula, é dedicada às artes (como o nome indica) e oferece aos seus visitantes não só livros como, também, música, artesanato e artes plásticas. Garante ainda que envia livros para todo o mundo! Para Portugal, os portes são grátis. É frequente que estas paredes brancas, chão de madeira e estantes alberguem lançamentos de livros tanto dos escritores mais conceituados como de jovens revelações.

Simpatia, variedade, dedicação, aqui estão todos os ingredientes que fazem uma boa livraria. E a praia para um bom passeio, está já ali.

Fonte de Letras (Évora)

Viramos para dentro, no Alentejo, rumo a Évora, onde encontramos a Fonte de Letras, livraria que nasceu em 2000 em Montemor-o-Novo e dez anos depois se mudou para a rua mais babel da cidade de Évora, onde se ouvem todas as línguas do mundo, na cidade Património Mundial da Humanidade.

É uma livraria generalista onde se encontram as novidades editoriais, mas onde se dá especial atenção a pequenas e raras editoras, livros de poesia, edições sobre o Alentejo, livros para crianças.

Tem uma programação cultural regular e um pequeno espaço para exposições de artes plásticas; um espaço onde também se pode beber um café, um chá ou um copo de vinho e saborear a “literária” tosta de queijo com tomate, azeite e orégãos.

Uma Fonte de Letras sempre nova com 13 anos de história.

Livraria Solmar (Ponta Delgada)

A última paragem deste nosso roteiro, que já vai longo, é no arquipélago dos Açores. Desde o dia da sua inauguração, 21 de Março de 1991, a Livraria Solmar estabeleceu-se como um local de referência cultural na Cidade de Ponta Delgada e na Ilha de São Miguel.

Os Açores são ilhas literárias e José Carlos Frias e a sua equipa empenharam-se desde sempre em dar a conhecer os autores açorianos: João de Melo, Emanuel Félix, Emanuel Jorge Botelho, Fernando Aires, Onésimo Teotónio de Almeida, Dias de Melo, Daniel de Sá, Joel Neto, Nuno Costa Santos, João Pedro Porto, Leonor Sampaio, entre muitos outros.

Mais do que isso, durante mais de duas décadas e meia a Livraria Solmar promoveu e continua a promover lançamentos de obras, tertúlias, exposições, encontros e outros eventos no mundo da literatura, da poesia, do ensaio e das artes plásticas. Já por lá passaram Manuel Alegre, Eugénio de Andrade, José Saramago, José Cardoso Pires, António Lobo Antunes, David Mourão Ferreira, Mia Couto, Ricardo Araújo Pereira, Gonçalo M. Tavares, Almeida Faria ou José Luís Peixoto.

É um espaço de prazer bibliófilo, com uma excelente seleção dos livros expostos, música ambiente, conversa agradável e a simpatia dos livreiros amantes das letras. Em 2015, a livraria Solmar estabeleceu uma parceria comercial com o grupo editorial Leya, um dos mais importantes do nosso País.

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