Dez Lojas Com História encantadoras a não perder em Lisboa

Tendência e tradição

Lisboa é uma cidade de comércio desde o tempo dos Fenícios, passando obviamente pela era das Descobertas e chegando aos nossos dias. As lojas tradicionais fazem parte desde sempre da vida económica, social e cultural da cidade, mesmo em tempo de grandes superfícies e centros comerciais.

Agora, que mais que nunca Lisboa é polo de atração turística, apresentamos uma lista de algumas das Lojas Com História da cidade, aquelas que desde há muitos anos marcam Lisboa e os lisboetas pelo seu caráter e qualidade de serviço.

Não escolhemos as mais populares (a Fábrica de Pastéis de Nata, a Brasileira ou a Livraria Bertrand, por exemplo) propositadamente. Queremos ajudá-lo a descobrir algumas das pérolas escondidas da capital.

Casa Xangai (Tecidos, Roupa do lar) – Avenida da República, 19-A

Casa XangaiComeçamos o nosso percurso na Avenida da República, mesmo ao lado da Versailles, em frente ao Galeto, também elas lojas com história. É uma zona da cidade vibrante e recentemente renovada, um excelente ponto de partida.

Onde está a Casa Xangai existiu em tempos uma alfaiataria do mesmo nome, mas desde os anos 50 do século passado a loja ampla e luminosa (resultado do talento do arquiteto Norte Júnior) dedicou-se a boas peças de roupa interior, enxovais de bebé, roupa de criança, meias, lenços e echarpes. O curioso lenço com calendário, por exemplo, é um artigo que traz clientes de volta ano após ano.

A carteira de clientes é aliás o grande tesouro da casa. São tratados com o mesmo brio o cliente anónimo e as personalidades mais famosas que a compõem. A loja mantém fichas personalizadas para muitos deles, sabendo exatamente do que gostam e o que procuram. Uma dedicação que sobrevive aqui, nas avenidas novas.

Panificação Mecânica (Padaria) – Rua Silva Carvalho, 209

Avançamos em direção à zona da baixa, centro histórico da cidade, mas temos tempo para parar num dos bairros com mais vida de Lisboa, o de Campo de Ourique, onde, desde 1942 está a Panificação Mecânica.

Localizada num edifício classificado, os seus três pisos revestidos a azulejo, a montra emoldurada a ferro, as janelas em arco, são todas marcas distintivas que a tornam num lugar a visitar. A sua origem remonta ao início do século – o primeiro registo data de 1902 – primeiro como casa de fornos, depois como panificadora e finalmente como padaria onde ainda hoje todos os dias sai pão quente e pastelaria deliciosa.

O interior prima pela inspiração Arte Nova, com azulejos da Fábrica Bordalo Pinheiro e motivos vegetalistas, com enfoque no trigo, que nos remete obviamente para a confeção do pão, da qual este lugar é catedral. No interior, destacam-se ainda os estuques do teto, a harmonia conseguida entre materiais – ferro, madeira, vidro e, claro, o já referido azulejo.

Casa Achiles (Ferragens) – Rua de São Marçal, 194

Casa Achilles 2

Quem desce de Campo de Ourique para o Rato e segue para o Príncipe Real, encontra do lado direito da colina a Casa Achilles. Tem séculos de história e em 1998, quase teve um final triste.

António Lucas, o atual proprietário e antes disso cliente assíduo, foi nesse ano confrontado com a hipótese do fecho da loja e logo percebeu que se avizinhava o fim deste lugar único. Em risco de se perder estava a abundância de matrizes e formas que povoam esta loja e fábrica – em muitos casos únicas – ultrapassada por um mundo de reprodução massificada e industrial. Decidiu tomar conta da casa e, vinte anos depois, mantém a porta aberta.

Em Lisboa, a Casa Achilles é hoje a última casa comercial (e oficina) a fazer reprodução por molde em liga de cobre, usando para isso o seu espólio de cinco séculos de moldes dos grandes estilos europeus. Faz também outros pequenos trabalhos, tudo o que se relacione com puxadores, maçanetas, acabamentos de mobiliário, chaves, fechaduras.

Se quiser encontrar aquele pormenor único para a sua decoração, já sabe onde ir.

Pavilhão Chinês (Bar) – Rua Dom Pedro V, 89

Pavilhão ChinêsÉ, das nossas lojas com história, das mais recentes, tendo aberto portas em 1986, mas nem por isso das menos curiosas e interessantes.

O Pavilhão Chinês é um bar, certo, um bar cosmopolita com empregados vestidos a rigor onde se bebe uma cerveja ou experimentam cocktails, onde se joga snooker e se encontra amigos, elegante e confortável, distinto no ambiente. Mas é também um gabinete de curiosidades onde, à falta de conversa (improvável), nos podemos perder a olhar os armários que forram as paredes.

Sem grande esforço, numa das suas cinco salas, podemos encontrar soldadinhos de chumbo, um arlequim, cerâmica, medalhas, um manguito, uma espada, um cartaz do carnaval do Rio de 1890, aviõezinhos – muitos, canecas várias, emblemas, insígnias, e mais aviões de guerra e mais exércitos, um comboio, um mapa, Bianca Castafiore cantando, duas banhistas, um paraquedista, a Betty Boop a dançar… É tocar à campainha, entrar e ficar maravilhado.

Casa das Vellas Loreto (Decoração) – Rua do Loreto, 53

Vellas Loreto 2Hoje mais para decoração e devoção do que propriamente para iluminar, as velas continuam a fazer parte da nossa vida e fazem parte do comércio histórico da cidade através de uma das suas lojas mais antigas, a Casa das Vellas Loreto, em funcionamento desde 1789 entre o Largo de Camões e o Calhariz.

Entre a loja e oficina, deleitam-se os sentidos com perfumes e cores de velas de todos os tamanhos e feitios. Nos altos armários envidraçados que terminam em ogiva, a paleta de cores é resultado da cuidada disposição das velas, que se vai alterando consoante as estações e a sensibilidade apurada dos lojistas. Cada visita tem sempre um novo sabor.

Nos bastidores, longe do olhar público, a fábrica mantém os ancestrais processos de manufatura, como o arco de pau-santo, aliados a equipamento mais moderno. Ali, a produção de velas responde também aos ritmos litúrgicos e sazonais: a paisagem é muito diferente antes da Páscoa ou do Natal, no Dia dos Namorados, de Inverno ou de Verão.

Paris em Lisboa (Roupa do Lar, Pronto-a-Vestir) – Rua Garrett, 77

Aconselha o fado que Lisboa não seja francesa mas há séculos que a capital (e o mundo todo) se deixa encantar pela moda que vem da cidade-luz. Que o diga esta loja, que abriu no ano em que nasceu Fernando Pessoa, mesmo ali ao lado, no Largo de São Carlos: 1888. Fez obviamente furor numa capital onde se ansiava por tudo o que viesse de Paris.

Para a clientela feminina da classe média e alta, uma loja como a Paris em Lisboa era local óbvio de peregrinação. Estava ali tudo de que as jovens cosmopolitas de Lisboa precisavam para se tornarem nas mademoiselles perfeitas, dentro e fora de casa. O sucesso foi total.

A loja soube adaptar-se com a passagem do tempo e, mais de um século depois, continua a ser ponto de passagem obrigatório. São três andares que viram muita história (uma secção de perfumaria, oficinas de costura, a novidade das meias de vidro, o pronto-a-vestir) e onde se vende hoje sobretudo roupa de casa, numa oferta de variedade e que se distingue pela qualidade dos materiais.

Livraria Ferin (Livraria) – Rua Nova do Almada, 72

Livraria Ferin 1

Encontramos na Rua Nova do Almada, a segunda livraria mais antiga do país e só por isso faria sentido nesta lista, mas há mais motivos para aqui figurar.

Foi por altura das Guerras Napoleónicas que a família Ferin (de origem belga) veio para Portugal e do casamento de Maria Teresa com Pedro Langlet e da sua irmã com um encadernador francês, nasce o Cabinet de Lecture de La Librairie Belge et Française, onde era possível requisitar livros. Daí ao nascimento da Livraria Ferin, foi um passo.

Ainda hoje, a secção mais importante de livros é sobre História, mas este continua também um lugar incontornável para leitores em francês, para colecionadores de livros de arte e livros raros, ou antigos; também é visitada por amantes de livros de militaria, genealogia e heráldica, e de equitação e cavalos. Além de tudo isto, ainda se reserva um espaço para novidades editoriais.

A Ferin sobreviveu a guerras e crises, ao incêndio do Chiado e à revolução digital. Pelo andar de baixo passaram inúmeros lançamentos, tertúlias, atividades sem fim. José Pinho, dono da Ler Devagar e organizador do Festival Literário Folio, tomou conta da Ferin em 2016 e não hesita: “A Ferin é a mais bela livraria de Lisboa, de tal maneira que estou a pensar em cobrar entradas como faz a Lello, no Porto”, diz com uma gargalhada.

Au Petit Peintre (Papelaria) – Rua de São Nicolau, 104

Au Petit PeintreNo lugar onde está a Au Petit Peintre, no coração da baixa pombalina, já se comprou leite diretamente da vaca e já se imprimiu “O Jornal da Mulher” (distribuído pela cidade numa carroça). As marcas de outros tempos permanecem numa das mais antigas papelarias de Lisboa.

Hoje, é possível encomendar uma moldura, comprar lacre e sinetes, cartas timbradas, tintas para carimbo, tintas de escrever, todo o tipo de artigos para pintura e para desenho, mas também para o escritório e para a escola; papéis químicos, antigas sebentas e cadernos diários. Na montra, uma máquina de escrever leva-nos para tempos em que nem toda a comunicação era digital.

E para além disto, claro, há as pinturas que decoram as paredes, muitas mostrando o talento de alguns clientes da loja. Entre, quem sabe alguma o apaixona.

Sapataria Lord (Sapataria) – Rua Augusta, 199-203

Sapataria Lord

Já existia ali, na Rua Augusta, uma sapataria e chapelaria, mas data de 1940 o projeto de decoração e arquitetura que ainda hoje dá ao espaço o seu carácter e sumptuosidade, quer na montra, quer no interior. Numa zona que pode descaraterizar-se pela pressão turística, a Sapataria Lord é um marco de elegância e bom gosto.

Raul Tojal desenhou um projeto “art déco” de inspiração modernista em que se destacam a fachada em tons acobreados, a porta, as montras curvas, os óculos em que se realçam certos produtos, as caixas altas de chapéus, o mobiliário – tudo conflui num todo que foi pensado assim mesmo, como “obra ou projeto total”.

É claro que a decoração não valeria de nada sem a qualidade dos produtos (sapatos, chapéus, malas, bengalas) e a simpatia e dedicação dos funcionários que mantêm vivo o espírito do comércio tradicional, em que a empatia e dedicação aos clientes é questão de honra.

A Veneziana (Gelataria) – Praça dos Restauradores, 8

Gelados A VenezianaNo canto mais escondido dos Restauradores, junto ao Hotel Avenida Palace, fica a histórica Gelataria Veneziana, última paragem do nosso breve percurso.

Nos conturbados anos 30 do século XX de Itália, Giovanni De Luca, como muitos conterrâneos, decide tentar o sonho americano mas, passando por Lisboa, deixa-se encantar pela cidade e abre em 1936 aquela que é provavelmente a primeira gelataria da capital.

Originalmente, os gelados da Veneziana eram vendidos em carrinhos ambulantes, com fábrica na Avenida de Berna – o carrinho faz ainda parte do símbolo da loja e relembra-nos esses tempos. Hoje, além da original dos Restauradores, existem também lojas no Centro Comercial Amoreiras, na Quinta do Lambert e entre o Campo Pequeno e a Avenida de Roma.

Aqui podem encontrar-se as receitas tradicionais com ingredientes 100% naturais mas também sabores sempre novos, resultado do esforço constante de inovação. Além de gelados de copo e em cone, a Veneziana é famosa pela cassata, pelo gelado de marrasquino, e pelos gelados de taça. Uma delícia!

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