Escapada

Guimarães sempre foi, pela sua importância histórica, um lugar de visita obrigatória. A cidade “berço da nação portuguesa” está repleta de marcos da grande conquista de D. Afonso Henriques, que a elegeu como capital do Reino de Portugal e que todos devemos conhecer. Mas, Guimarães é hoje mais do que história e passado. Tornou-se, com o tempo, também numa cidade que, sem deixar de enaltecer o seu património histórico se vestiu de modernidade, fez da cultura a sua arma e abriu portas ao mundo.

Classificada pela UNESCO, desde 2001, como Património Mundial, foi também Capital Europeia da Cultura, em 2012, evento que a catapultou para os principais destinos turísticos europeus. Se ainda não conhece, ou se a última vez que lá esteve foi naquela visita de estudo escolar, em criança, está mais do que na hora de voltar. Venha daí, nós fazemos-lhe uma visita guiada.

Pode começar por planear a sua visita sentado numa das esplanadas do centro histórico da cidade, no Largo da Oliveira, por exemplo, onde a convivência entre “tugas” e turistas cria um ambiente relaxado e bastante cosmopolita. E não estranhe se o servirem num copo de plástico, que é resultado de uma medida pioneira do município, com vista a promover o uso de copos reutilizáveis em substituição dos copos de plástico descartáveis. Uma acção que merece destaque positivo numa altura em que tanto se discute a problemática dos plásticos descartáveis e os seus malefícios para o planeta. Parabéns Guimarães pela iniciativa!

Mas não nos dispersemos e vamos ao nosso roteiro que pode começar aqui mesmo, no Largo da Oliveira, bem no coração do centro histórico da cidade, onde se encontra o Padrão do Salado, classificado como Monumento Nacional. Trata-se de um Alpendre gótico erguido no reinado de D. Afonso IV, para comemorar a Batalha do Salado, travada em 1340 e é um dos mais importantes ícones de vimaranenses.

Mesmo ao lado do Padrão do Salado vai encontrar a Igreja de Nossa Senhora da Oliveira, cuja origem remonta ao século X e preserva marcas arquitectónicas das diversas intervenções que foi sofrendo ao longo dos séculos, pela mão de diferentes reis. É um dos mais emblemáticos monumentos da cidade, que conjuga os estilos gótico e manuelino, com elementos barrocos e pormenores neoclássicos. Um local de culto religioso que recebe centenas de visitantes todos os dias.

Toural Square, Guimaraes ©iStock, saiko3p

Toural Square, Guimaraes ©iStock, saiko3p

Contíguo à Igreja encontra o Museu Alberto Sampaio, criado em 1928 para albergar as colecções da extinta Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira e de outras igrejas e conventos da região de Guimarães, então na posse do Estado. Apresenta importantes colecções de escultura (arquitectural, de vulto e tumulária), cobrindo os períodos medieval e renascentista e prolongando-se até ao século XVIII. Destaque para a colecção de ourivesaria, uma das melhores do país, com peças como o cálice românico de D. Sancho I, a imagem de Santa Maria de Guimarães (séc. XIII), diversos crucifixos e o magnífico retábulo gótico de prata dourada representando a Natividade, de fins do século XIV.

Não deixe de apreciar ainda o loudel que D. João I vestiu na batalha de Aljubarrota, o fresco do século XVI figurando a degolação de S. João Baptista, a colecção de pintura dos séculos XVI a XVIII, a talha maneirista e barroca, os paramentos bordados e a azulejaria e a faiança.

Uma vez nesta zona, espreite a Praça de São Tiago (Santiago) , uma das mais famosas pela sua magnífica traça medieval, onde pode desfrutar de um final de tarde a beber um bom copo de vinho e apreciar as fachadas típicas das casas, de varandas enfeitadas.

Baterias carregadas? Siga para o Largo da República do Brasil, uma das principais artérias do centro de Guimarães e contemple o extenso largo ajardinado, florido e arborizado que o conduz à majestosa Igreja de São Gualter, frade franciscano, padroeiro de Guimarães, em honra de quem se celebram as seculares Festas Gualterianas, entre os meses de Julho e Agosto, um dos pontos altos do cartaz cultural da cidade.

E na lista de lugares de visita obrigatória não podia faltar aquele que é talvez o mais importante de todos e que quase não precisa de apresentação. O Castelo de Guimarães, a fortaleza da cidade, construída para proteger os seus monges e cristãos dos constantes ataques dos mouros. Figura entre os castelos mais bonitos de Portugal e o que podemos visitar hoje é já o resultado de grandes alterações que a primitiva fortaleza datada do século X foi sofrendo até às últimas obras de restauro, já no século XX. Foi a casa do Conde D.Henrique e D. Teresa, no século XII, aquando da formação do Condado Portucalense, acredita-se que lá terá nascido Afonso Henriques, o rei que nomearia Guimarães o “berço da nação portuguesa”.

Contíguo ao Castelo encontrará o Paço dos Duques, uma majestosa casa senhorial do século XV, com características arquitectónicas de casa fortificada. Um exemplar único na Península Ibérica da arquitectura senhorial da Europa Setentrional. Aberto ao público desde meados do século passado, apresenta-se como museu, cujo espólio é datado dos séculos XVII e XVIII, com forte destaque para os Descobrimentos Portugueses.

Visite também o Convento de Santa Clara, onde está instalada a Câmara Municipal. No seu interior escondem-se belíssimos claustros e jardins, mas é na fachada do edifício, de estilo barroco, que nos perdemos, nos detalhes soberbos, trabalhados em granito e que nos conduzem à imagem central, desta tela gigante, a escultura de Santa Clara.

E se os monumentos são o grande legado e a força maior do ADN de Guimarães, outros lugares têm enriquecido a cidade e merecem ser visitados, como é o exemplo do Centro Cultural de Vila Flor, que nasceu da recuperação do Palácio Vila Flor e da sua envolvente. Recomenda-se uma ida ao teatro, a um concerto, ou a participar numa das muitas actividades em agenda, como workshops e formações. E reserve algum tempo para relaxar e desfrutar dos seus belíssimos jardins, sem dúvida um dos espaços ao ar livre mais prazerosos da cidade.

Arquitectura de Guimaraes, Portugal ©iStock, Siempreverde22

Arquitectura de Guimaraes, Portugal ©iStock, Siempreverde22

Se for em Setembro, aproveite para participar no Manta, um festival de música que invade estes jardins e convida o público a levar a sua própria manta de casa e a instalar-se na relva. Se a sua visita for em Novembro, assista ao Guimarães Jazz e em Fevereiro aproveite o GUIdance – Festival Internacional de Dança Contemporânea, que acontecem no Centro Cultural de Vila Flor.

Se visitar Guimarães este Outono, pode assistir, já em Outubro, ao Festival Noc Noc ou, em Novembro, às Festas Nicolinas. Em Maio chega a Green Week, em Junho a Feira Afonsinha e em Julho o Guimarães Allegro. Em Agosto Guimarães recebe o L’Agosto, no jardim do Paço dos Duques. Em suma, vá em que altura for, o cardápio cultural é sempre convidativo. A par destes que são os principais eventos anuais, não deixe de espreitar a agenda mensal dos diferentes espaços culturais, sempre em actualização, com uma oferta cuidada e criteriosa.

Visite também a Plataforma das Artes e da Criatividade que transformou o antigo Mercado de Guimarães num espaço dedicado à actividade artística e cultural, com diferentes espaços desde ateliers, laboratórios criativos e oficinas de usufruto público, com uma linguagem verdadeiramente única, onde a criatividade é transposta para outra dimensão. Alargue os seus horizontes e deixe-se levar.

Sugestão ainda para espreitar o Centro de Ciência Viva, instalado na antiga Fábrica de Curtumes Âncora, que se transformou num espaço interactivo de divulgação científica e tecnológica e que funciona como plataforma do conhecimento com imensas propostas de actividades originais de promoção do conhecimento científico. Os miúdos vão adorar!

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