Travel & Business

Bleisure (do inglês “business & pleisure”) é a nova tendência que está a revolucionar as viagens de negócios e a crescer a um ritmo vertiginoso graças à tecnologia e às ofertas personalizadas que estes viajantes exigem. Na realidade, separar os negócios do prazer já faz parte do passado. A ideia é aproveitar os tempos mortos […]

Bleisure (do inglês “business & pleisure”) é a nova tendência que está a revolucionar as viagens de negócios e a crescer a um ritmo vertiginoso graças à tecnologia e às ofertas personalizadas que estes viajantes exigem. Na realidade, separar os negócios do prazer já faz parte do passado. A ideia é aproveitar os tempos mortos entre as reuniões ou os dias anteriores ou posteriores a uma viagem de negócios para realizar atividades de lazer. De facto, segundo a Forbes, 57% das empresas já permitem que os seus colaboradores na faixa dos 20 aos 30 anos de idade prolonguem as suas viagens de negócios e juntem-lhes uns dias de férias. Sobretudo se são destinos longínquos ou cidades tão interessantes como as principais cidades da Península Ibérica. Quem não gostaria de ficar mais uns dias em Sevilha, Lisboa, Madrid, Porto, Barcelona, Coimbra, Bilbau ou Braga?

As agências online e as aplicações de viagens estão focadas em proporcionar novas experiências aos millennials que lideram esta tendência, mas veem-se confrontadas com o desafio de oferecer ambas as opções – trabalho e prazer – à mesma pessoa. Os números são evidentes. Um estudo realizado pela Global Business Travel Association, a principal associação mundial de gestores de viagens empresariais, assinala que 37% dos americanos que fizeram viagens de negócios escolheram a opção “bleisure” em 2017, dos quais 48% pertencem à geração millennial. Um negócio apetitoso para empresas como a Travelbank, uma aplicação “para o viajante de negócios moderno, com apoio 24 horas por dia, 7 dias por semana”, na qual é possível reservar carros, hotéis, voos e alojamentos alternativos, assim como estimar os custos com preços em tempo real e obter informações sobre Wi-Fi, upgrades ou reservar um lugar junto a um colega, e ganhar pontos com a Airbnb ou a Uber. O seu responsável, Duke Chung, disse ao blogue da Adobe que antevê que 2018 será o ano em que o “bleisure” passará a ser a norma. “Cada vez será mais aceite pelas empresas”, refere.

Mais dados?

78% dos jovens tiraram tempo de férias pessoal nas suas viagens de negócios e 60% reconhece que esse tempo de férias ajuda a “pensar mais, alargar os conhecimentos e a cultura”. Uma das razões para o sucesso do “bleisure é o facto de que as pessoas têm filhos mais tarde, pelo que não têm de regressar logo a casa. “Estão mais preocupados com o equilíbrio entre a vida profissional e privada; quem tem família, até leva a família nas viagens”, diz à Forbes Evan Konwiser da American Express Global Business Travel.

O Booking realizou um inquérito e 30% dos inquiridos referiram que estariam dispostos a ganhar menos se o trabalho implicasse mais viagens. Para quem ainda não está convencido, o outro objetivo é introduzir mudanças nas esgotantes viagens de trabalho, por exemplo, oferecer um par de dias extra no destino ou um jantar num restaurante da moda podem fazer toda a diferença. As empresas que atraem os millennials são as que percebem bem o conceito de flexibilidade. Ainda que não possam pagar salários elevados ou dar-lhes grandes benefícios, seguramente podem permitir-se que os seus colaboradores explorem uma cidade num dia livre. “Incorporar um evento ou um interesse pessoal numa viagem de negócios faz com que essa viagem seja mais equilibrada e até mesmo inesquecível”, acrescenta à Forbes Emily Sheehan, engenheira no Twitter. Desta forma, podem regressar ao trabalho com as baterias carregadas, em vez de mais cansados do que quando foram. Contudo, devem separar muito bem o tempo e os gastos relacionados com a atividade profissional e o lazer.

Novas aplicações para viajantes de negócios

Para este segmento de viajantes há aplicações muito interessantes como o Detour, um audioguia que propõe percursos a pé relatados por celebridades locais como atores ou chefs nos Estados Unidos, Europa e Ásia. Além disso, através da realidade aumentada, a aplicação mostra como os lugares ou bairros foram mudando ao longo do tempo.

O Airbnb também oferece novas experiências aos viajantes de negócios, nomeadamente a possibilidade de reservarem excursões e outras atividades concebidas pelos anfitriões locais. Alguns exemplos? A degustação gastronómica “os melhores sabores de Lisboa”, um concerto de flamenco na famosa escola Amor de Dios em Madrid, uma rota de arte urbana em Valência, andar de bicicleta pelas vinhas da região de Barcelona, aprender a pintar azulejos no Porto ou fazer cerâmica em Sevilha.

Tudo isto revolucionou o setor de tal forma que até estão a ocorrer aquisições na indústria. Por exemplo, a American Express Global Business Travel adquiriu a KDS para a American Express Global Business Travel, através da sua tecnologia, oferecer viagens “bleisure” online planeadas e com todas as reservas, do princípio ao fim. “O processo de reservar e procurar opções acessíveis é muito laborioso. Os bots de inteligência artificial como Hipmunk permitem entender melhor as necessidades ao longo do tempo”, sublinha a responsável de estratégia e marketing de viagens da Adobe, Julie Hoffmann. Os millennials têm bem claro o que querem: os seus empregos devem proporcionar-lhes novas experiências, sem fronteiras entre aspirações profissionais e a opção de explorar o mundo.