Banda sonora

A música portuguesa anda nas bocas do mundo: Madonna mora em Lisboa e adora fado; Salvador Sobral ganhou o European Song Contest em 2017 e a música eletrónica de origem lusa anda nos ouvidos do mundo todo.

Para aquecer nas noites de Inverno, contudo, fizemos uma playlist que tanto o pode aconchegar no sofá em frente à lareira em casa como embalá-lo a conduzir por aí. Optámos por um tom calmo, de cores pop, com algumas piscadelas à tradição e setas apontadas ao futuro.

Simone de Oliveira – Sol de Inverno

Começamos pois pelo Festival da Canção e pelo primeiro ponto que alguma vez Portugal ganhou na Eurovisão, em 1965, pela voz intemporal de Simone de Oliveira, com o seu “Sol de Inverno”. Haverá título mais apropriado para nos trazer para o futuro e começar a aquecer?

Gisela João – Naquela Noite de Janeiro

É de futuro que falamos quando nos deliciamos com a voz de Gisela João a cantar “Naquela Noite de Janeiro”, fado renovado permanentemente com música de Acácio Gomes e letra de Francisco Ribeirinho. Já perceberam, estamos em pleno Inverno, com Gisela, já com dois álbuns de estúdio, um ao vivo, e muitas noites de concertos e casas de fado.

Márcia & JP Simões – A Pele Que Há em Mim (Quando o Dia Entardeceu)

Márcia convidou JP Simões (com carreira a solo e passagem pelos Pop dell’Arte, Belle Chase Hotel, Quinteto Tati) para se juntar a si em dueto neste maravilhoso “A Pele Que Há em Mim” de 2011. Uma guitarra acústica, uma melodia aconchegante e duas vozes perfeitas aquecem qualquer um.

Lula Pena – Acto VII

Menos conhecida do que devia em Portugal, Lula Pena, com a sua guitarra, é uma das mais singulares vozes a cantar em Português (e não só), aqui e pelo mundo, venham de onde vierem as suas canções. O seu perfil lembra-nos Amália e as suas composições passeiam pelas mais encantadoras canções. Neste “Acto VII” do álbum “Troubadour” vai até “Nature Boy”, um standard do jazz ou “Pollen” de Mirah, para acabar a sussurrar-nos ao ouvido.

Joana Barra Vaz – Anda Estragar-me Os Planos

Voltemos ao Festival da Canção neste arranque bem suave da nossa playlist com Joana Barra Vaz, co-fundadora em 2011 do imprescindível projeto “A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria”. Realizadora, argumentista, compositora e cantora, Joana entrou no Festival da Canção em 2018. Uma curiosidade: Salvador Sobral já cantou esta canção, de que muito gosta, da autoria de Francisca Cortesão e Afonso Cabral.

Luís Severo – Planície (Tudo Igual)

A melancolia do nosso arranque segue aqui numa curva da estrada para um registo um pouco mais pop com “Planície” de Luís Severo. O seu disco homónimo foi considerado o melhor de Portugal em 2017 pelos leitores da Blitz. Assina também canções para outros, como “Menina” de Cristina Branco, e leva-nos certos pelo caminho da sua música.

Joana Espadinha – Contramão

Licenciada em Direito (em Portugal) e em Jazz (na Holanda), Joana Espadinha começou a cantar em português a conselho de Benjamin e o seu álbum de 2018 “O Material Tem Sempre Razão” é uma jóia pop que vale a pena ouvir do princípio ao fim. Porque estamos na estrada, fica aqui em jeito de aviso e descoberta este “Contramão”.

Valter Lobo – Oeste

De uma licenciada em direito para um advogado, mantemo-nos num registo de pop suave em português neste “Oeste” de Valter Lobo, em tom intimista e de calor humano, convidando os ouvintes para um universo lírico rico, um dos novos valores que vale a pena seguir.

S. Pedro – Amores de Inverno

Muito se fala de amores de Verão mas Pedro Pode, que assina S. Pedro e pertenceu em tempos aos doismileoito, prefere levar-nos aos seus “Amores de Inverno”, quem sabe menos efémeros, convidando ao aconchego, pelo menos até ao calor voltar. Canta e toca todos os instrumentos no seu álbum de estreia… “O Fim”.

Inês Sousa – Se o Tempo Não Falasse

Prometemos que é a nossa última incursão no Festival da Canção mas este “Se o Tempo Não Falasse” é um dos nossos favoritos do mesmo ano em que Salvador Sobral ganhou, 2017, até porque o compositor é o grande noiserv (David Santos) a cuja música Inês Sousa empresta uma voz hipnótica que embala até os mais empedernidos.

Best Youth – When All the Lights Are Down

Estivemos até aqui em português mas a verdade é que a língua universal do rock e do pop continua a ser o inglês. Viramos assim neste cruzamento para os Best Youth, um duo do Porto, Ed Rocha Gonçalves e Catarina Salinas, encontrando-se a meio caminho entre o indie rock eletrónico e o dream pop, de que dificilmente encontramos melhor exemplo que este “When The Lights Are Out”.

Marta Ren & The Groovelvets – Smiling Faces

Também em inglês, Marta Ren traz-nos caras sorridentes com a sua versão do melhor soul, depois de ter passado a solo e em outros projetos pelo ska, rocksteady, reggae, dub, hip-hop. Acompanhada pela sua banda The Groovevelts, ambiciona o sucesso mundial à imagem de Sharon Jones ou Marva Whitney.

Raquel Ralha & Pedro Renato – Nine Million Rainy Days

Nesta nossa estrada de música, faltava-nos uma cover e quem nos traz este “Nine Million Rainy Days”, originalmente dos The Jesus And Mary Chain, é Raquel Ralha, em parceria com Pedro Renato. Raquel Ralha foi já dos Belle Chase Hotel de JP Simões ou dos Wraygunn de Paulo Furtado. Pedro Renato passou também pelos Belle Chase Hotel e no seu primeiro álbum “The Devil’s Choice Vol. 1” recriam canções de Pixies, The Doors, Pink Floyd, Nina Simone, Nick Cave e Siouxsie & The Banshees. Além desta, demonstração óbvia de qualidade.

Doce – Doce

doce

(Clique na imagem acima para ouvir)

Estamos quase a chegar ao fim e achámos que, já que tanto vos maçámos com o Festival da Canção, valia a pena dar um salto aos anos 80, a 1980 para ser mais preciso, para um momento de descontração pop com este “Doce” das Doce, talvez a nossa primeira girlsband e aquela que mais nos faz saltar e dançar ainda hoje, até porque… “doce é, numa manhã de Inverno, um café quente na mesa e lá fora o frio eterno…”

Capitão Fausto – Faço as Vontades

Chegamos ao fim da estrada mas o caminho continua e faz-se caminhando, prova disso é a música dos Capitão Fausto, um dos grandes sucessos desta nova pop mais indie portuguesa que têm novo álbum em breve. “Faço as Vontades” é o avanço de “A Invenção do Dia Claro”, título com piscadela de olho a Almada Negreiros, gravado no Brasil.