Roteiro

Decora ruas, paredes e edifícios, dá cor e vida às cidades e fala da história de Portugal. O azulejo português está presente nas estações de comboio, igrejas, conventos, mosteiros, monumentos, casas, palácios, jardins e fontes. A azulejaria é uma das expressões mais fortes da cultura portuguesa, ultrapassando a função utilitária e atingindo o estatuto de arte.

Em Lisboa, o azulejo marca presença em todos os roteiros turísticos, por isso queremos propor-lhe uma viagem muito especial, ao volante do seu Ford, à procura de azulejos. Alguns são muito conhecidos, outros diferentes e chamativos, mas a escolha do percurso não é fácil porque o azulejo, na capital, está por todo o lado. Esperamos que aprecie a nossa proposta.

A primeira fábrica de azulejo português surgiu em Lisboa, no final do século XVIII. Mas a história começou muito antes, no final do século XV, quando foram importados os primeiros azulejos das oficinas de Sevilha. O rei D. Manuel I, numa das suas viagens a Espanha, ficou encantado com o brilho dos azulejos e trouxe-os para decorar as paredes do seu palácio – o Palácio Nacional de Sintra. E Sintra é precisamente o ponto de partida desta nossa viagem de descoberta. O Palácio Nacional guarda a maior coleção de azulejos hispano-mouriscos (com origem na sua maioria em Sevilha) da Europa. Também conserva uma importante coleção de azulejos barrocos do conhecido Mestre P.M.P.

A caminho de Lisboa, o Palácio de Queluz, construído em 1747 e inspirado no de Versailles, é uma paragem obrigatória. O Palácio foi a residência oficial da família real nos finais do século XVII. Além dos conhecidos jardins e da arquitetura rococó, o Palácio de Queluz possui uma obra notável em azulejos. Destacamos o Canal dos Azulejos de 1756, com paredes decoradas com painéis azuis e brancos, mas o Corredor das Mangas, no interior do palácio, é outro bom exemplo das maravilhas que encontraremos aqui.

Lisboa azulejo

Chega o momento de visitar a capital. Por onde começar? Não é fácil decidir. As opções são muitas, mas o seu Ford vai facilitar o percurso. Para aproveitar ao máximo a visita, propomos começar pelo Museu do Azulejo, que revela a produção e a arte do azulejo desde o século XV à atualidade. Este museu está situado na igreja e convento da Madre de Deus, do século XVI. O interior da igreja está revestido com azulejos do séculos XVIII que narram a vida de São Francisco. A obra mais emblemática do museu é uma composição de 1300 azulejos com 36 metros de comprimento, ilustrando Lisboa antes do terramoto de 1755. Outra das obras a não perder é o retábulo Nossa Senhora da Vida, que pertenceu à Igreja de Santo André e foi parcialmente destruído pelo terramoto. O retábulo data de 1580, é atribuído a Marçal de Matos, possui 1498 azulejos e tem 5 metros de altura por 4,65 de largura, sendo considerado uma das obras-primas da azulejaria portuguesa. Só o tamanho já impressiona.

Não muito longe daqui encontra-se o Mosteiro de São Vicente de Fora, o padroeiro de Lisboa (o Santo António é o santo popular). Este impressionante templo guarda o mais vasto conjunto de azulejos barrocos do mundo (cerca de 100.000), incluindo uma curiosa série de 38 painéis que ilustram as fábulas de La Fontaine.

Continuamos a visita no centro de Lisboa. Agora na rua Trindade, do número 28 ao 34, vai ficar maravilhado com a fachada do edifício. Este prédio, que foi construído em 1864, está totalmente revestido com elementos maçónicos, falsas estátuas e representações alusivas à ciência, agricultura, comércio e indústria e aos elementos terra e água. É provavelmente o prédio com azulejos mais fotografado de Lisboa. A seguir, poderá repor forças na Cervejaria Trindade. Mas não propomos esta paragem por acaso. No interior deste restaurante, com quase 190 anos de história, vai encontrar muitos mais azulejos. Manuel Moreira Garcia, um industrial galego, adquiriu em 1834 as ruínas do convento da Santíssima Trindade para instalar a Fábrica de Cerveja da Trindade, a primeira em Portugal. Não deixe de contemplar os grandes painéis de azulejos do antigo refeitório do convento, com simbologia maçónica.

Lisboa azulejo

Passeie depois pelo Bairro Alto e aproveite para apreciar as maravilhosas fachadas de azulejos do bairro, algumas escondidas e outras mais chamativas, como a fachada de azulejos verdes. Desça mais tarde até ao Cais do Sodré para contemplar o painel da Casa dos Parafusos, na rua da Boavista. É um bom exemplo de um painel publicitário em azulejo usado para revestir uma fachada. Vai ficar cativado pelo lettering feito com parafusos.

A seguinte paragem é o Hospital de São José. Porquê? –Deve estar a perguntar –. Vai surpreender-se ao descobrir que este hospital está situado num antigo colégio (de Santo Antão-o-Novo) e conserva um vasto conjunto de revestimentos cerâmicos da maior importância para o estudo da azulejaria portuguesa. Cada espaço do antigo colégio conserva um revestimento cerâmico que obedece a um programa iconográfico próprio, relacionado com as funcionalidades originais da sala. Por exemplo, na antiga Aula da Esfera (atual Salão Nobre) os azulejos espelham os ensinamentos que aí eram ministrados.

Propomos agora dar um salto até à rua Almirante Reis. No número 74 vai poder apreciar um prédio de habitação e comércio, que foi construído em 1908. Este prédio foi um dos primeiro exemplos lisboetas de Arte Nova. Tem uma parte revestida com azulejos verdes retangulares e outra, no primeiro andar, forrada a girassóis e folhagens muito coloridas. Ao lado, no Largo do Intendente, não deixe de contemplar a fachada da loja Viúva Lamego: está toda revestida com azulejos de gosto romântico, jarras e outras representações chinesas, figuras alegóricas e até macacos empoleirados. Atualmente, aqui existe apenas a exposição e venda de azulejos, já que a parte fabril foi mudada para outro local.

Há um outro lugar que não deve deixar de visitar. Está um pouco afastado do centro da cidade (São Domingos de Benfica), mas no seu Ford chegará lá num instante. Falamos do Palácio da Fronteira. É necessário, contudo, conferir previamente os horários das visitas, muito restritos e diferentes em função do dia. Não é um dos lugares mais conhecidos de Lisboa, mas no interior do Palácio exibe-se um espólio muito representativo da azulejaria portuguesa, de temática profana, do último terço do século XVII.

Lisboa azulejo

Se, no início do nosso roteiro, no Museu do Azulejo aprendemos a importância e a história do azulejo em Portugal, na fábrica Sant´Anna vamos conhecer o processo de pintura manual dos azulejos. Esta fábrica está localizada a caminho de Belém, na Calçada da Boa Hora. Ali são fabricados azulejos desde 1741 e, atualmente, é a última grande fábrica do mundo com produção de faianças e azulejos portugueses. Produz todas as peças com recurso a métodos inteiramente artesanais, desde a preparação do barro até ao vidrar do azulejo e pintura, mantendo os mesmos processos de fabrico desde 1741.

Chegados a esta altura do passeio, poderá talvez pensar que, em Lisboa, os azulejos são apenas uma arte do passado. Para que possa ficar com uma outra ideia, mais verdadeira, propôs-lhe visitar alguns dos exemplos mais recentes. O painel “O Mar”, na Avenida Infante Santo, na Lapa, é um dos mais conhecidos e bonitos de Lisboa. É da autoria de Maria Keil e foi construído em 1958. O painel representa a vida marítima, com conchas, búzios, barcos e pescadores. Não ficará certamente indiferente às cores, nem à plasticidade nem às dimensões deste painel.

Propomos ainda dar um salto até ao Parque das Nações, um dos bairros mais modernos de Lisboa, onde teve lugar a Expo 98. Nesta zona de Lisboa destacamos o Painel do Oceanário com a representação de animais marinhos. O segredo está em contemplar este painel de longe. Ao perto os azulejos parecem apenas pixéis e figuras geométricas de várias tonalidades.

Entre os murais mais recentes encontra-se um que foi inaugurado, em 2016, no muro do jardim perto da Feira da Ladra. Trata-se de um mural com 1000 metros quadrados, onde 53 mil azulejos muito coloridos mostram o universo do artista André Saraiva. Ainda mais recente é o mural Louvor da Vivacidade, na última escadaria da Avenida Infante Santo, do artista plástico Add Fuel. O painel tem quase 200 metros quadrados e está feito de grés cerâmico.

E termina assim o nosso roteiro mas não os azulejos. Estes vai encontrá-los sempre, até nos lugares mais inesperados de Lisboa.

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