Escapada

A norte da encosta sinuosa do Douro, em Trás-os-Montes, há belezas que esperam por nós. Venha connosco numa escapadela de luxo a Vila Real, cidade alcandorada num planalto na convergência dos rios Corgo e Cabril.

Com mais de setecentos anos de existência, tendo como pano de fundo as serras do Alvão e do Marão, Vila Real foi outrora conhecida como a “Corte de Trás-os-Montes”, devido ao elevado número de casas brasonadas que então tinha. Venha connosco descobrir as muitas marcas desses séculos de história.

 

Parque Natural do Alvão

Antes de o homem chegar a estas paragens, já a natureza as tinha tornado sublimes. Comecemos pelo Parque Natural do Alvão, área protegida de base essencialmente granítica, aqui e ali com presença de xisto. É uma zona de montes e vales, onde se destaca a queda de água conhecida como Fisgas do Ermelo, no Rio Olo. Por entre carvalhos e vidoeiros, para além do gado maronês, o visitante poderá ter a sorte de vislumbrar algumas espécies em perigo de extinção na zona: a águia-real, o falcão-peregrino, o gato-bravo ou mesmo o lobo-ibérico. Propomos-lhe conhecer o parque no seu Ford, seguindo um percurso de montanha, por entre aldeias e socalcos, começando na Barragem Cimeira do Alvão, espreitando o miradouro sobre a aldeia de Lamas de Olo (que vale uma visita) e terminando na típica aldeia de Ermelo, já no concelho de Mondim de Basto.

Santuário de Panóias

A ocupação da região de Vila Real é tão antiga como a presença do homem na Península Ibérica e em Panóias encontramos o santuário rupestre mais antigo da península, exemplar único no Mundo, pelo facto de as suas pedras contarem, em inscrições, quem o construiu, em honra de que divindades, e que rituais ali se praticavam.
Originário dos finais do século II, inícios do século III, neste espaço encontramos três grandes fragas nas quais se talharam cavidades destinadas ao sacrifício das vítimas – os animais eram mortos numa cavidade, o seu sangue derramado para uma outra, e as vísceras eram queimadas noutra concavidade. Este local foi consagrado a Serapis, a divindade principal dos deuses do Inferno, por um membro da ordem senatorial da época, mas também aos deuses dos Lapitae, a comunidade local.

Torre de Quintela

Saltemos no tempo até à Idade Média, para conhecer a Torre de Quintela, uma das mais antigas da ocupação senhorial da região. A primeira referência ao edifício surge nas Inquirições de D. Afonso III, em 1258.
Já nos finais do séc. XVII, é seu senhor o Conde de Vimioso e em documentos dessa altura, encontramos informações que indicam claramente que, para além da torre, a herdade era composta por outras construções, nomeadamente uma capela em honra de Santa Maria Madalena. No início do séc. XX esteve iminente o seu desaparecimento mas provou-se ser demasiado dispendioso desmontá-la para aproveitar a pedra e sobreviveu a torre até aos nossos dias. Em 1910 foi classificada como Monumento Nacional, e em 1982 sofreu trabalhos de restauro que lhe conferiram o seu aspeto atual.

Igreja de São Pedro

Chegamos ao esplendor do barroco transmontano, de que A Igreja de São Pedro é um dos melhores exemplos, apesar da data da sua construção ser bem anterior. Ao edifício original, construído em 1528, foram sendo introduzidas alterações ao longo do tempo, até apresentar a forma que hoje assume. A maior parte das alterações aconteceram precisamente no séc. XVIII, assumindo o estilo barroco. São de destacar o revestimento a azulejo da capela-mor, a introdução de painéis no teto e a renovação da fachada. À riqueza do interior, soma-se a decoração abundante da fachada, com duas imponentes torres sineiras, que fazem desta Igreja o único exemplar deste tipo no centro histórico de Vila Real.

Palácio de Mateus

É, contudo, no Palácio Solar de Mateus que encontramos a joia arquitetónica mais relevante e expressiva do estilo Barroco na região. O desenho da Casa é atribuído ao famoso arquiteto Nicolau Nasoni, o mesmo da Torre dos Clérigos, no Porto. O Palácio é constituído pela Casa principal, pelos jardins, a Adega e uma Capela em honra de Nossa Senhora dos Prazeres. No interior, podemos encontrar uma biblioteca com cerca de seis mil volumes, onde se destaca a célebre edição ilustrada e Os Lusíadas de Luís de Camões, de 1816. Nas restantes divisões da casa, poderão ser vistas inúmeras peças de mobiliário, tapetes, loiças, peças de decoração, paramentos, vestes e relíquias. Vale igualmente a pena um passeio pelos jardins e um momento de contemplação junto ao espelho de água defronte da fachada.

Museu de Vila Real

O acervo do Museu de Vila Real, de seu nome completo Museu de Arqueologia e Numismática de Vila Real, foi crescendo como uma bola de neve. Começou com nove moedas romanas compradas a três crianças e com um machado neolítico oferecido e, depois, chegaram moedas de toda a província, aos milhares, de entre o século V a.C. e o século VIII d.C. Formou-se deste modo a coleção de Numismática à qual se juntaram, entre diferentes peças, espólios e coleções privadas, colunas romanas de Vale de Telhas e de Sabroso, que dariam corpo à coleção de Arqueologia. O museu disponibiliza também um Serviço Educativo, que complementa a visita às exposições permanentes e temporárias. Disponível ao público está ainda o Centro de Documentação, que inclui obras nas áreas da história local, arqueologia e Numismática, entre outras. O museu está instalado num belo edifício setecentista, que sofreu diversas ocupações ao longo do tempo, recuperado após um período em que a ruína esteve iminente.

Festas de São Lázaro

Deixemos monumentos e museus e entremos em modo de festa e celebração. Dois domingos antes da Páscoa, acontece a Festa de São Lázaro em torno de uma Capela situada num dos bairros mais típicos de Vila Real, o Bairro de Santa Margarida, também conhecido como Bairro dos Ferreiros. Conta a história que a festa nasceu numa época em que a cidade foi atingida por uma epidemia, tendo o Bairro dos Ferreiros sido poupado, facto que a devoção popular atribuiu a São Lázaro, santo protetor contra as doenças da pele em geral, varíola e bexigas em particular. Faz por isso sentido que, para além das cerimónias religiosas e da animação popular, seja ponto alto da festa a venda da doçaria tradicional, precisamente… “bexigas” (além dos “cavacórios”, outras iguarias e, é claro, vinho generoso).

Pitos de Santa Luzia

Se começámos a falar de doçaria… continuemos! São muitas as iguarias da região. Além dos já mencionados cavacórios e bexigas, vale a pena falar dos covilhetes, da gancha e das cristas de galo, nascidas no extinto Convento de Santa Clara. O nosso destaque, contudo, vai para os pitos de Santa luzia, nascidos no convento do mesmo nome pelas mãos de Maria Ermelinda Correia, uma Irmã Imaculada de Jesus, que, segundo reza a história, era muito gulosa. Ora, sabendo a Madre Superiora de toda a sua gula, proibiu-a de comer todo o tipo de doces. Mas a Irmã, não conseguindo controlar a gulodice, criou um doce cuja forma se assemelhava aos pachos de linhaça com que tratava os doentes com problemas de olhos. Nasceu assim o Pito de Santa Luzia (padroeira dos doentes com problemas de olhos), especialidade com recheio de doce de abóbora e cobertura de massa de farinha, um dos ex-líbris de Vila Real. Manda a tradição vila-realense que as raparigas ofereçam o Pito aos rapazes nos dias da Festa de Santa Luzia.

Circuito de Vila Real

Acabamos a nossa volta pela região já no princípio do Verão, de 5 a 7 de Julho, a acelerar com o 50º Circuito Internacional de Vila Real, marcando o regresso das corridas à capital transmontana. Vila Real é, aliás, a cidade do país com maior tradição em corridas urbanas de automóveis. O denominado “Circuito de Vila Real” começou em 1931 tendo sido considerado por muitos pilotos o melhor circuito urbano do mundo. O seu ponto alto aconteceu durante as décadas de 60 e 70 em que teve a participação dos mais importantes pilotos a nível mundial, como Stirling Moss, David Pipper e John Miles. O ano de 2014 marcou o regresso do circuito urbano à cidade com um enorme sucesso, fazendo lembrar os seus anos de ouro. Em 2019, não poderemos perder a edição número cinquenta!

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