Mundo Ford

A NASA encontrou na Ford um dos seus principais aliados para levar a Apolo 11 até à Lua. Os avanços espantosos que a empresa desenvolveu para alcançar este objetivo cumprem agora 50 anos e fazem parte da história tecnológica da humanidade.

Levar o homem à lua não foi uma tarefa solitária da Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço (NASA). Para o conseguir, a NASA teve que pedir ajuda a diferentes colaboradores tecnológicos e, anos antes de dar o salto até ao satélite natural da Terra, a Ford Montor Company era já um fornecedor importante desta agência do governo norte-americano. O resultado é conhecido. A 16 de julho de 1969, o ser humano pisou finalmente a superfície lunar, graças à construção do Centro de Controlo de Missão pela Ford.

Os primeiros passos

Para além do vaivém que levaria os astronautas para fora do nosso planeta, como seria o lugar onde se monitorizaria todo o processo? Que tecnologias seriam necessárias para comunicar com a Apolo 11? As respostas a estas e muitas outras perguntas seriam dadas pela Philco-Ford, a Divisão Aeronáutica da Ford Motor Company, criada em 1961. Dois anos depois, a Philco-Ford foi responsável pela implementação do Centro de Controlo de Missões de Houston.

O desafio era enorme: criar e aplicar novas tecnologias para solucionar problemas e situações que nunca haviam sido experimentadas pelo ser humano. Para isso, a Ford elaborou sistemas de hardware e software até então desconhecidos, porque, como se lê agora na documentação daquela época, “o que nos anos 60 a NASA necessitava no terreno para garantir uma aterragem na lua era uma grande capacidade de tomada de decisões auxiliada por um computador que ainda não existia”. Em 1965, quando as operações foram trasladadas para o Cabo Kennedy (Flórida), a Ford já tinha o Centro de Controlo pronto.

Desenvolvimentos extraordinários, inclusive meio século depois

É difícil medir o nível do avanço tecnológico alcançado pela Ford em tão pouco tempo. A arquitetura do sistema foi atualizada para cada missão. Algumas destas atualizações requeriam até dois milhões de alterações na cablagem (quase 10.000 km). Além disso, mais de 1500 elementos diferentes de dados de telemetria, da saúde do astronauta aos resultados das provas e dos dados de voo, chegavam simultaneamente ao centro.

Como se isto ainda fosse pouco, a instalação albergou o maior conjunto de equipamentos de comutação de televisão do mundo, ajudados por cinco computadores mainframe IBM 360/75, que enviavam dados para mais de 1300 comutadores de indicadores a fim de serem monitorizados por controladores de missão. Uma vez na Lua, os astronautas puderam instalar o Pacote Inicial de Experiências Científicas da Apolo (EASEP). Tratava-se de um sistema para monitorizar as condições ambientais do satélite, desenvolvido em conjunto pela NASA, Ford e IBM, que ficou a transmitir dados durante mais de um ano.

O impacto da Ford na corrida espacial

Graças ao êxito destas operações, em 1976, a empresa transformou a divisão inicial na Ford Aerospace and Communications Corporation. Quatro anos depois, esta nova divisão da empresa era já responsável pela criação de mais de metade dos satélites em órbita à volta da Terra. O Centro de Controlo de Missão tornou-se num dos grandes avanços tecnológico do século XX. Como salientou o historiador Lay Karafantis, este centro “foi criado e implementado apesar das muitas contingências encontradas. A integração da equipa da Philco-Ford das tecnologias de visualização, comunicação e processamento de dados no Centro tornou possível uma missão tripulada à Lua.”